Erased: mudar o passado

O Netflix tinha acabado de lançar esta série e eu, após ler a sinopse e ver que a duração dos episódios era curta – devo dizer que após Dark, uma série com episódios de 20 minutos parecia ser o que mais precisava – decidi experimentar e dar uma hipótese.

Portanto, Erased (Bokudake ga Inai Machi) é uma série japonesa baseada num animé japonês que por sua vez é baseado num manga japonês. E, meus amigos, nota-se claramente que estamos a ver um produto nipónico live action baseado num animé.

Para ser sincero, eu gostei. Aliás, incluí Erased nas melhores séries que vi em 2017. Não é que seja absolutamente indispensável, mas cativou-me. Existe uma inocência tipicamente japonesa, uma forma de contar histórias muito própria, paradoxos temporais à parte, que eu gostei bastante.

E, depois, é tudo muito competente em Erased, seja o elenco (as crianças são adoráveis, especialmente o ator principal) ou a realização (belíssima fotografia), e o facto dos episódios serem curtinhos com uma boa dose de mistério e drama – aliás, o busílis de Erased centra-se na solidão e na forma com ela molda as pessoas e as muda – não tornam a coisa aborrecida, existindo uma vontade de ver o próximo episódio.

Agora a ver se vejo o animé.

Top 5 – Séries de 2017

Chegou a vez de fazer o meu top das melhores séries que eu vi este ano. Não vi muitas, mas ainda assim vi mais séries do que filmes. Sem enrolar mais, aqui fica a lista:

1 – Game Of Thrones (temporada 7)

O final aproxima-se e esta sétima temporada teve momentos bastante bons e elevados níveis de produção.

2 – Dark (Temporada 1)

Fotografia de enorme qualidade e um mindfuck alemão que hipnotiza e confunde.

3 – Stranger Things (Temporada 2)

As coisas continuam bem estranhas para as crianças mais adoraveis da televisão. Aham, e a banda sonora mantém a excelência.

4 – The Expanse (Temporada 1 e 2)

Série de ficção científica muito interessante com uma conspiração central que é uma fachada para outra conspiração ainda maior.

5 – Erased (Temporada 1)

Na verdade, as crianças em Erased são as mais adoráveis da televisão.  Episódios pequenos, cultura japonesa e história suficientemente cativante.

Dark: o tudo é agora

É certo que Dark aproveita o sucesso de Stranger Things em algumas coisas, mas é uma experiência à parte.

Ainda não sei bem se não fui ludibriado pela excelente música ou pela fotografia fantástica, que me fizeram ficar embrulhado numa centrifugadora de momentos paradoxais mindfucking hipnotizantes.

Uma cena: podem pensar que seria porreiro ter o vosso eu futuro a falar com o vosso eu presente que entretanto andou pelo passado a fuçar, (e que depois vai para o futuro também) mas, se pensarem bem e ouvirem o nosso amigo Jonas, não é porreiro, é chato, pois podem acabar por andar aos beijos à vossa tia! E gostar!

The Glitch: de volta à vida

Numa pequena cidade acontece o impossível: seis mortos ressuscitam! É um acontecimento que vai tornar a vida do polícia James Hayes um verdadeiro rodopio de emoções, uma vez que ele testemunha essa ressurreição e decide manter os ressuscitados em segredo e sob sua alçada pessoal.

Esta série tem uma premissa interessante e foi com relativo interesse que vi as duas temporadas até ao fim.

Na verdade achei a primeira melhor que a segunda. Pareceu-me que, à medida que vão sendo revelado alguns segredos, a coisa começou a tornar-se um pouco absurda demais.

Eu sei, pessoas mortas que voltam já é absurdo que chegue. Mas… Não sei bem, acho que a série perdeu um pouco o rumo e qualidade na segunda temporada.

Os primeiros seis episódios focam-se muito nas personagens e eu gostei disso. Aquelas pessoas não se lembram da vida que tiveram, muito menos porque ressuscitaram, mas a série vai mostrando aos poucos a vida que eles tiveram e às vezes nem tudo o que parece é.

A mitologia da série também marca presença, mas o que mais me despertava interesse era saber o que aconteceu com aquelas seis pessoas em vida. Saber porque razão ressuscitaram era menos importante. Pelo menos para mim.

A segunda temporada, embora continue a focar nos ressuscitados, expande a mitologia e foca-se mais nas perguntas: Porque razão estão vivos? Como é que isso aconteceu?

Não gostei de algumas coisas que foram introduzidas na mitologia da série e confesso que à medida que o mistério se vai dissipando, o meu interesse também diminui.

De qualquer maneira, acho que The Glitch vale uma espreitadela. Embora exista por ali algum exagero no drama, e tenha perdido um pouco de interesse e força nos últimos episódios, devo dizer que estou com alguma curiosidade em saber o que aí vem numa terceira temporada.

Slasher :eu sei o que vocês fizeram

É mesmo original ter como título Slasher, devo dizer. De qualquer maneira, e como o Netflix me sugeriu esta série, que é de terror e para maiores de 16 anos – o que implicava alguma violência e sangue onscreen – decidi encolher os ombros e carregar no play.

É a “clássica” história da malta que se encontra num sítio no meio do nada, sem rede como é óbvio, e que começa a ser dizimida.

Claro que para a coisa ser mais interessante, a malta divide-se em dois grupos: a malta que já se encontrava no lugar isolado e a malta que vai para o lugar isolado porque tem um segredo obscuro que se torna num problema grave e então têm que arregaçar as mangas e resolver o problema grave, que consiste em ir buscar o cadáver de uma jovem que mataram numa noite que se descontrolou após se descobrirem segredos e ciúmes e traições que envolvem sexo e humilhações e, basicamente, todas as bodegas que a malta jovem faz quando não sabe utilizar o cérebro de forma adequada.

E pronto. Estão a ver a premissa do I know what you did last summer? Basicamente a mesma porcaria.

É verdade que existe sempre curiosidade em descobrir quem é o assassino, e algumas mortes são bem violentas e gráficas. Os diálogos e as personagens também não são maus, e embora nada seja espetacular, achei que a coisa fluiu de forma suficientemente interessante.

Lá está, tudo o que esta segunda temporada de Slasher oferece não é nada de novo. Já se viu muitas vezes. Mas também já vi pior.

ps: Como curiosidade, no final, descobri que vi a segunda temporada, mas isso até nem me irritou muito, uma vez que Slasher faz parte das séries que têm um história diferente em cada temporada. E se calhar até vou ficar por aqui, uma vez que as interwebs não falam muito bem da primeira.

The Sinner: a Jessica Biel é uma pecadora

Não é que a Jessica Biel ou o Bill Pullman sejam sinónimos de entretenimento de qualidade. Na verdade, acho que o último filme que vi com a Jessica foi The Tall Man (meh) há uns três ou quatro anos e com o Bill, nem sei bem, talvez o Independence Day (o primeiro Independence Day).

Contudo é sempre bom ver caras conhecidas nos cartazes de séries, nem que sejam aquelas caras que já não vimos há imenso tempo e só temos borrões como memórias dos seus papéis.

Esta série original da Netflix conta a história de Cora, uma mãe, aparentemente normal, que faz parte de uma família normal e que, no intervalo dos afazeres diários, numa ida à praia com o marido (o irmão perdido do Jon Snow!) e o filhote pequeno, tem um ataque de fúria e mata um jovem violentamente, esfaqueando-o até à morte.

Ninguém parece perceber o que raio aconteceu, como aconteceu e porque aconteceu, nem a própria autora do crime mas, para o detetive Harry Ambrose, algo teve que despoletar o ataque. E, a medida que vai entrevistando testemunhas e conversando com Cora, começa a perceber que o passado dela, afinal, parece ser mais sombrio do que aparentava.

A história é suficientemente intrigante e misteriosa, levando a que quem está a ver mantenha o seu interesse e a vontade em ver o episódio seguinte, apesar de existirem alguns lugares comuns e artifícios que, sinceramente, não me agradam muito. Falo, nomeadamente, da amnésia da mulher e do método utilizado para “desbloquear” essa mesma amnésia.

Não será, também, difícil perceber o que despoletou o ataque de Cora, ao fim de alguns episódios. Mesmo que adivinhem, isso não torna a revelação menos conseguida.

Para ser sincero, achei The Sinner minimamente cativante. Fosse ela mais longa, e o mais certo era acabar por ficar farto, mas com oito episódios a coisa acabou por fluir bem.

Jessica Biel e Bill Pulman estão bem nos papeis, o mistério principal é intrigante q.b., os valores de produção suficientemente bons e, mesmo com alguns clichés, cheguei ao fim razoavelmente satisfeito.

Quem gostar de thrillers com algum mistério, poderá ter aqui uma boa solução para aquelas tardes/noites mortas.

A segunda temporada de Stranger Things

Falei aqui da primeira temporada e devo dizer que a minha opinião é mais ou menos a mesma em relação à segunda. Todos os ingredientes que fizeram de Stranger Things um sucesso, continuam presentes.

Achei que as personagens continuam cativantes, a banda sonora mantém a sua excelência, todo o ambiente tipicamente característico dos anos 80 está bom e recomenda-se e a história é suficientemente interessante.

Talvez tiraria algum background que foi dado à Eleven, mas compreendo que tenham tentado “humanizar” mais a jovem. No entanto, pareceu-me que os episódios centrados em Eleven eram os mais aborrecidos e aqueles que destoavam do resto que ia acontecendo.

Acho que a força de Stranger Things reside no grupo, nos caça-fantasmas, e no dinamismo que eles todos juntos trazem.

Espero pela terceira temporada com alguma expetativa.

ps: não sei bem porquê, mas achei esquisito ver a Eleven com aquele cabelo.