A minha odisseia com Mario

A Nintendo não para de me surpreender.

Acertou em cheio com a Nintendo Switch, trouxe um jogo que redefine, melhora e aprimora um género que ajudou a criar – falo de Zelda: Breath of the Wild que é daqueles jogos que aparece uma vez em cada geração – lançou um novo IP divertídissimo (ARMS), poliu e melhorou jogos fantásticos que não foram devidamente apreciados por terem sido lançados na WII U (Mario Kart e Splatoon), deixou que Mario entrasse no mundo desmiolado dos Rabbids associando-se à Ubisoft e tem deixado a eshop ser povoada por dezenas de bons jogos Indies.

Têm sido meses fantásticos para a malta que possui a consola. Pessoalmente, tenho-me divertido imenso e é absolutamente genial poder jogar em todo o lado. A portabilidade da Switch merece todos os meus elogios.

Toda a gente, contudo, já estava à espera do “grande” títudo AAA da Big N, para o final do ano. O Supra sumo das plataformas. A personagem que ao longo de três décadas se tem reinventado e proporcionado diversão a pequenos e graúdos.

A fasquia estava alta e as minhas expectativas não eram poucas, mas a Nintendo, especialmente no topo da sua forma, não me costuma desiludir.

E assim foi: a par do Zelda, Super Mario Odyssey é outro jogo que redefine e que sai uma vez em cada geração.

A história de Super Mario Odyssey é básica. Mario tem que salvar a princesa Peach das garras de Bowser que, desta vez, pretende casar-se com ela. A bordo da Odisseia, um chapéu voador, e com a ajuda do nosso companheiro chamado Cappy, que é um fantasma em forma de chapéu – sim, existem muitos chapéus neste jogo – iremos tentar evitar este casamento, perseguindo Bowser através de vários reinos.

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Blaster Master Zero: um clássico renovado

Estive em dúvida se devia comprar este jogo, no entanto, o charme retro que tanto me cativa, chamou a minha atenção, e tornou-se difícil resistir a Blaster Master Zero.

Tive a NES, mas confesso que não joguei o original da Sunsoft, pelo que também seria interessante tentar perceber a razão deste remake de um jogo lançado em 1988.

Blaster Master Zero coloca-nos num futuro pós-apocalíptico em que um indivíduo chamado Jason encontra um veículo de guerra chamado Sophia III. Como é óbvio, Jason decide experimentar Sophia III e desata a desbravar caminho pelo subterrâneo da Terra, uma vez que a malta teve que deixar a superfície devastada.

Basicamente, temos cenários em que avançamos a um estilo Metroidvania, dentro na Sophia III, destruindo monstros e procurando por portas que levarão a novos cenários. Mas, e para tornar a experiência ainda melhor, temos a possibilidade de sair da Sophia III e percorrer os cenários a pé.

Quer com isto dizer que a forma de jogar vai variando, embora o objetivo seja mais ou menos sempre o mesmo: descobrir a forma de deixar o cenário, encontrar os bosses e destruir esses mesmos bosses, colecionar upgrades para a sophia e para Jason até chegarmos ao monstro final e assim concluir o jogo.

Existe uma história, mas não é nada de especial, embora contribua para tornar a experiência mais satisfatória.

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Forma.8: perdidos num mundo alienígena

O que mais me chamou a atenção quando vi este jogo ser anunciado para a Switch, foi o estilo gráfico. Gostei bastante da palete de cores e de todo o minimalismo apresentado em Forma.8.

Claro que nem sempre um jogo bonito acaba por ser divertido, mas acabei por comprar o jogo e, agora que já o terminei, posso dizer que Forma.8 é bastante interessante na sua proposta, embora nem sempre consiga manter o nível de interesse.

Quero com isso dizer, que Forma.8 frustrou-me algumas vezes.

O jogo não explica nada e, nesse aspecto, é um bocado old-school. Eu gosto de levar o meu tempo com um jogo e não me importo nada de descobrir o que fazer a seguir sem qualquer tipo de ajuda. No entanto, em Forma.8, isso às vezes me aborrecia um bocadinho, uma vez que dava por mim a voar pelos mesmos sítios várias vezes, sem saber bem o que estava a fazer.

É que o jogo falha um bocadinho em apresentar diversidade nas secções do planeta que tinha para explorar. Ao fim de algum tempo, acabei por me perder, sem saber se já tinha feito tudo o que havia para fazer numa determinada secção. E dava por mim a voltar para trás e a ficar aborrecido por andar à procura do que fazer para avançar na história.

Para ajudar, o combate em Forma.8 é difícil de controlar. Embora goste de voar com a pequena sonda por enormes desfiladeiros, sobrevoar monstros gigantes e ruínas de uma civilização misteriosa, quando surgiam os inimigos era difícil combatê-los.

Esses momentos em que me perdia, era encurralado por inimigos e frustrado não os conseguia combater como queria, mancharam um bocadinho a minha experiência com este jogo.

No entanto, recomendo-o à mesma!

O jogo é lindo com uma boa ambientação e embora tenha a sua própria cadência, que provavelmente não será para toda a gente, e tenha provocado em mim alguns momentos de frustração, a sua proposta minimalista e misteriosa cativou-me.

Shovel Knight: um jogo essencial na Nintendo Switch

Mais um belíssimo jogo Indie que estava curioso para experimentar. Foi por isso, com pouca hesitação, que decidi comprar mal ficou disponível na Nintendo Switch.

Foi anunciado como um regresso ao saudoso tempo em que reinavam os jogos de plataformas nas consolas de 8 bits e, como passei a minha infância com a NES, tinha a certeza que Shovel Knight seria um festim para mim.

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Kamiko: uma pequena pérola indie

Kamiko é um jogo extremamente curto. A primeira vez que joguei terminei a campanha numa hora e vinte sete minutos. A segunda vez demorei ainda menos tempo!

A curta duração é um pequeno “problema”, mas o jogo compensa com uma jogabilidade bem viciante e interessante. Para além disso, adorei o pixel art apresentado e a ambientação tipicamente oriental.

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Sonic Mania (Nintendo Switch)

Este era um dos jogos que mais aguardava. Já não jogava com o ouriço azul desde Sonic Adventures 2 na saudosa Dreamcast e, apesar de nem sentir que estava a perder grande coisa, quando vi o primeiro trailer de Sonic Mania percebi imediatamente que estava perante um jogo especial.

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Eu parti numa aventura!

A Nintendo não estava a brincar quando disse que queria mudar a forma como se joga Zelda!

Agora que cheguei ao fim, após umas espantosas 120 horas – e continuo a jogar, a acrescentar minutos que se tornam horas de pura exploração por Hyrule – posso dizer que a Nintendo arriscou muito mas a coragem que teve foi largamente compensada.

Todas as notas máximas que Breath of the Wild teve e toda a aceitação por parte do público são provas disso.

Talvez não seja o melhor jogo de sempre, ou sequer o melhor jogo do franchise, mas é fantástico naquilo a que se propõe fazer: dar uma aventura  a quem a quiser “viver”.

E é uma aventura pessoal, quase sem qualquer tipo de ajuda. Temos um pequeno tutorial no planalto inicial, em que descobrimos todas as habilidades que nos vão acompanhar durante o jogo todo, mas depois de sairmos desse planalto, somos largados à nossa sorte.

O jogo nunca nos obriga a nada. Dá indicações subtis, mas não força nenhum trilho. E é por isso que no final temos a sensação de termos forjado o nosso próprio caminho.

Todas as armas que encontramos, todos os shrines que conquistamos, roupas que adquirimos, inimigos que derrotamos, lugares que encontramos… Tudo isso faz parte da nossa aventura.

A Nintendo foi exímia em criar uma experiência de descoberta e fortalecimento.

O mapa de jogo é enorme mas incrivelmente belo e fascinante. A forma como foi construído instiga à descoberta. Dá sempre vontade em irmos investigar uma colina ao longe. A curiosidade em ver o que se esconde no horizonte é muito grande e o que ainda torna as coisas melhores, é que quando partimos na direção desse mesmo horizonte fazemos dezenas de desvios, pois encontrámos um lago meio escondido, uma floresta misteriosa, ruínas sombrias ou uma torre que parece roçar o céu.

E, normalmente, todos esses desvios nos dão algum tipo de recompensa. Seja um cofre perdido, uma espada, um escudo ou um objeto raro.

Ás vezes dá vontade de parar e apreciar a natureza em redor.  Ver uma veado, ou um cavalo a correr nas planícies ao pôr do sol torna-se, por vezes, bastante bonito.

Ou então escutar a natureza. Toda a variedade de sons disponíveis dão uma outra vida a Hyrule. Adoro entrar numa floresta e escutar o chilrear de pássaros, um relinchar de um cavalo ao longe, o vento a soprar por entre as árvores ou coaxar de uma rã escondida.

A Nintendo conseguiu criar um ambiente muito imersivo neste jogo.

As primeira horas são incríveis, pois a sensação de espanto perante toda a liberdade apresentada é totalmente inesperada. É um vício explorar Hyrule. Dava por mim a querer ver todos os cantos. Só decidi avançar a história após ter jogado largas dezenas de horas.

Depois temos um motor de jogo e uma física incríveis! É fascinante ver o que se consegue fazer neste jogo. Quando eu, logo no início do jogo, por acidente, levei uma tocha comigo para uma zona gelada e percebi que o calor que a tocha emitia permitia-me suportar o frio e explorar aquela área fria sem qualquer tipo de penalização, todo um leque de inúmeras possibilidades se abriu.

A partir desse momento dei por mim a pensar com lógica e a resolver problemas com os materiais à minha disposição, e toda a minha habilidade e astúcia. Existem inclusive, maneiras diferentes de resolver o mesmo problema.

São tantas as possibilidades proporcionadas pelo motor de jogo, que após dezenas de horas de jogo, continua a surpreender-me com novas formas de ultrapassar obstáculos.

Essa liberdade de encontrar as minhas próprias soluções e de poder explorar o mapa gigantesco da forma que quiser, torna tudo mais intimista e recompensador.

No entanto, Breath of the Wild não é perfeito.

Em primeiro lugar, embora isso não me afete demasiado, tenho que referir as quebras de fluidez do jogo. Embora essas quebras tenham sido largamente corrigidas com patches, ainda existem.

A diversidade de inimigos é uma das coisas que mais me desapontou, por exemplo.

A destruição das armas e dos escudos é algo que me parece estar pouco equilibrada. Não é nada coerente que uma espada utilizada por um campeão dure pouco mais que uma tocha num combate.

A chuva por vezes atrapalha mais do que ajuda e chove demasiado em Hyrule.

É, também, muito simples criar refeições que tornam Link muito forte e resistente  Seria melhor que houvessem alguns limites.

O voice acting, para mim, é subjetivo. Pessoalmente achei que as vozes foram do mediano ao bom neste jogo.

A história não é nada de extraordinário, mas acho que cumpre razoavelmente bem. Sejamos sinceros, Zelda nunca teve das melhores histórias. Zelda sempre foi jogabilidade, descoberta, aventura e fantasia acima de tudo.

Apesar de alguns problemas de equilíbrio e de diversidade, Breath of The Wild é um jogo monumental. A Nintendo criou um jogo memorável, sem dúvida. Estamos perante uma revolução no franchise e um regresso às origens de forma espetacular.

Não é por acaso que os programadores compararam tanto este jogo ao primeiro The Legend of Zelda. No primeiro jogo também éramos lançados às feras sem nenhum tipo de indicação.

É liberdade, aventura, exploração e descoberta no estado mais crú. É a Nintendo no topo da sua forma. É o regresso triunfal de uma das séries mais impactantes da indústria dos videojogos.

Fantástico, Nintendo. Conseguiste colocar-me de novo com 12 anos.

E como Aonuma disse: ainda há espaço para melhorar!