Arigatou gozaimasu, Hayao Miyazaki

Hayao Miyazaki

Hayao Miyazaki, aunciou recentemente o fim da sua carreira cinematográfica. Foram mais de 4 décadas a cativar e a inspirar pessoas. Kaze tachinu (The Wind Rises), filme que já estreou em alguns países, será o seu último. Deixará, certamente, saudades.

A minha primeira experiência com Miyazaki foi com o filme Mononoke-hime (A Princesa Mononoke) onde, desde logo, fiquei fã. Fiquei com tão boa impressão do filme, que investiguei a sua filmografia.

Desde então, tenho-me deliciado com obras apenas ao alcance dos melhores artistas.

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Kaze no tani no Naushika (1984)



Passaram 1000 anos depois da queda da civilização e o planeta enfrenta uma desertificação cada vez maior. O ambiente é tóxico, os humanos vivem em pequenas tribos nos poucos locais onde ainda se pode respirar ar puro, e a biosfera foi tomada por novas formas de insectos e plantas gigantescos. Nausicaa, é a princesa do Vale do Vento, um local belo e pacífico, que a certa altura se vê no meio de um conflito perigoso: um império contra o avanço da selva tóxica, que a pouco e pouco vai cobrindo o planeta.  A princesa pura de coração, tenta a todo o custo resolver a guerra sem que hajam mortes.

Mais um (óptimo!) filme de Miyazaki repleto de questões ecológicas e onde o fascínio do realizador nipónico por máquinas voadoras está presente em grande força. Mononoke-Hime, assemelha-se em grande parte a este filme nas temáticas abordadas, mas ambos os filmes têm as suas mais valias e diferenças.

Como de costume, os desenhos são geniais e belos. O filme tem aquele ar característico que marca a sua idade (a estreia foi em 1984), mas é impossível não admirar todo o universo criado por Miyazaki. Para além da qualidade dos desenhos e da animação, a história é boa, as personagens cativantes e a música emocionante.

A versão que assisti, com imensa pena minha, foi a versão dobrada em Inglês. Contudo o trabalho dos actores, dos quais constam Alison Lohman, Patrick Stewart, Uma thurman, é muito bom.

Para mim, Miyazaki é um dos mestres da animação tradicional, não só pelo visual que imprime nos filmes, mas também pelas histórias que conta. Um poeta pintor! Kaze no tani no Naushika é mais uma tela animada que ele nos ofereceu. Quem puder, fica mais uma recomendação minha.

8/10

Gake no ue Ponyo (2009)

A mais recente obra de animação de Miyazaki chama-se Gake no ue no Ponyo, ou em português, Ponyo á Beira-Mar e conta a história de um pequeno peixe que é encontrado acidentalmente por Sosuke, uma criança de 14 anos. Sosuke desde logo promete proteger Ponyo para sempre. Mal sabia Sosuke que Ponyo é um peixe muito especial e que o seu grande desejo é tornar-se humano. A partir desse primeiro encontro desenvolve-se uma amizade que terá de enfrentar muitas adversidades até á prova maior…

Miyazaki é um autor japonês de animação no estilo tradicional, ou seja, os desenhos são feitos á mão. E, para quem tem dúvidas que o tradicional fica atrás do digital, desengana-se. Pelo menos o tradicional de Miyazaki! Gake no ue Ponyo exibe uma qualidade absolutamente vibrante. O mundo criado é de uma beleza enorme. As cores, a fluidez da animação, tudo é feito ao pormenor. E não deixámos de ficar admirados perante a imaginação deste senhor japonês.

Apesar de tudo, este filme é mais infantil que as obras anteriores do realizador. Não que isso seja mau, porque não o é, apenas quem espera mais um Mononoke-Hime, pode esquecer. A narrativa oferece, e como é apanágio dos estúdios Ghibli, muita ternura, muitos valores e uma mensagem ecológica, que desta vez tem a ver com os oceanos.

Não me vou alargar muito e termino dizendo que é muito bom vermos obras desta qualidade no estilo tradicional. Sim, o digital também oferece excelentes películas, como são os casos dos filmes da Pixar, mas ver mundos e fábulas assim, têm uma magia muito especial. Não deixem de espreitar!

8/10

Mononoke-Hime (1997)

Ashitaka é o jovem guerreiro do clã Emishi que é amaldiçoado ao defender a sua aldeia de um demónio criado pela violência humana. Assim, viaja até à região controlada pelo clã Tatara na esperança de compreender a maldição que lhe fora posta, antes que esta o mate. O que Ashitaka vai encontrar é um conflito entre os humanos e os deuses da floresta. Apanhado no meio do conflito, Ashitaka conhece San, a Princesa Mononoke. 

Esta rapariga, criada por lobos, fará tudo o que puder para acabar com os humanos que ameaçam a floresta. Ashitaka colocar-se-á entre San e Lady Eboshi, a líder do clã Tatara, procurando um meio de terminar a guerra.

A Princesa Mononoke é um épico poderoso e tocante acerca da humanidade e a sua industrialização acelerada que provoca a destruição da natureza. No meio de deuses e demónios, magia e tecnologia, progresso e preservação somos confrontados com uma narrativa surpreendentemente complexa e simples, na medida que o básico da mensagem é que todos nós podemos viver em paz, Homem e Natureza; complexa porque a profundidade dada ao argumento é muito grande com personagens dotadas de personalidade. Aliás, neste filme não existe um verdadeiro vilão, porque cada um tem o seu motivo para efectuar as suas acções. Ashitaka é talvez um dos personagens com mais alma e mais coração que já tive oportunidade de assistir num filme. É uma personagem para ver de olhos não tapados. A qualidade da animação, como é apanágio dos estúdios Ghibli é fabulosa. Colorida, viva, fluída e com aquele toque de pintor, que só grandes artistas são capazes de nos dar. A banda sonora dá uma ajuda a tornar a animação ainda mais épica, ajudando a tornar certos momentos mais intensos e expressivos.
São filmes como este que nos fazem sonhar. Mas não se deixem enganar, pois nem só de fantasia e de amor vive este filme. Os momentos negros e sombrios também marcam presença e o existe muito sangue, batalhas, braços e cabeças cortadas. A violência praticada abunda!

 Entrem neste fantástico mundo de fantasia. Deixem-se levar por pormenores tão fantásticos como belos. É um dos melhores filmes de animação de sempre e, comparando com a viagem de Chihiro (vencedor do óscar), A Princesa Mononoke é, para mim, superior.

 A Princesa Mononoke de Hayao Miyazaki  

9/10

     


      

      

      

Lady Eboshi: What exactly are you here for?
Prince Ashitaka: To see with eyes unclouded by hate.     

    

Hauru no ugoku shiro (2004)

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Sophie, uma típica adolescente de 18 anos, vê a sua vida virada do avesso quando se cruza acidentalmente com o misterioso mas belo feiticeiro Howl e, subsequentemente, é transformada numa mulher de 90 anos pela vaidosa e perversa Bruxa do Nada. Ao embarcar numa incrível odisseia para quebrar a maldição, ela encontra refúgio no castelo andante onde conhece Markl, o aprendiz de Howl, e um demónio de fogo, Calcifer.

O mestre da animação japonesa Hayao Miyazaki vencedor de um Óscar pelo filme Sen to Chihiro no kamikakushi , traz até nós mais um belo mundo de fantasia povoado de demónios, magia e personagens fascinantes. Hauru no ugoku shiro não é só uma bela história de amor mas também uma história de coragem em tempo de guerra. As mensagens subtis continuam a marcar presença, assim como uma inquestionável arte em demonstrar que a amizade e o amor é o melhor que nós temos. Miyazaki you’ve done it again!

Esta fábula consegue provocar em nós diversos estados de espírito e no fim deixa-nos com o coração reconfortado. É bom ver este tipo de animações. Cheio de magia que nos remete para tempos esquecidos. A Disney já foi capaz disso. Actualmente só mesmo Miyazaki e a Pixar.

O Castelo Andante de Hayao Miyazaki

8/10

Sen to Chihiro no kamikakushi (2001)

Sen to Chihiro no kamikakushi

The tunnel led Chihiro to a mysterious town…

Um túnel misterioso e uma cidade fantasma conduzem a jovem Chihiro e a sua família à terra dos espíritos, povoado por deuses e monstros, e governada pela gananciosa Yu-Baba. Depois de comerem uma refeição proibida, os pais de Chihiro são castigados e transformados em porcos. Para os tentar salvar ela terá que renunciar o seu nome e prestar serviço no mundo dos espíritos.

Sen to Chihiro no kamikakushi é uma aventura cheia de magia repleta de criaturas fantásticas, de simbolismos importantes e de uma atmosfera que só o génio da animação japonesa Hayao Miyazak nos poderia dar. Vencedor do òscar para melhor animação e do Urso de Ouro no Festival de Berlim esta viagem pelo mundo dos espíritos é vibrante e única.

O que salta logo á vista é a qualidade da animação e das cores. Tudo foi feito á mão, com excepção de uma ou duas cenas, e o efeito final é algo que só visto. A história da Alice japonesa é contada em tom episódico, com diversas situações a serem apresentadas e a serem resolvidas no meio da trama principal. No meio disto surgem diversos momentos simbólicos como por exemplo o facto de nem o ouro comprar a pequena Chihiro quando o Sem-rosto seduz a nossa heroína, ou umas das mais fascinantes que é uma mensagem de cariz ecológico (facto que preocupa Hayao), que é quando um Deus todo enlameado e sujo, feio e que empesta a casa dos banhos chega para utilizar os serviços de Yu-baba.
 
Ninguém ousa se aproximar do Deus e o trabalho fica a cargo de Chihiro que rapidamente chega á conclusão que não é só com água que todo o lixo sairá. Então descobre um espinho preso no deus e resolve tirá-lo. Ao fazer isso uma enorme quantidade de lixo de todo o tipo sai do “corpo” do deus e este fica limpo e bonito outra vez. Descobre-se que é o deus Rio e quão é importante não poluir as nossas águas. Simples e tocante.
 
Vale a pena ver este filme. O mundo criado por Miyazaki é vibrante, cheio de cor e de simbolismos. As personagens são carismáticas e algumas enigmáticas como o Sem Rosto que, por ventura, irá deixar muita gente confuso com a sua personalidade. Chihiro que a pouco e pouca deixa um pouco mais de felicidade e de amor no reino dos espíritos, concerteza acabará por conquistar o coração de quem assistir a esta animação.
 
Como disse o poeta, “o caminho faz-se caminhando”, e o caminho de Chihiro é feito de surpresas fascinantes, de inesperadas amizades, de insuspeitos sentimentos, de imprevista audácia, de eterna aprendizagem
 
A Viagem de Chihiro de Hayao Miyazaki
 

8/10