Suicide Squad (2016)

Este filme tenta ser aquilo que nunca deveria ser. Tenta forçar sentido de humor, dimensão e “humanizar” personagens violentas e desequilibradas.

A Harley Quinn diz que eles são os maus, mas insiste-se em problemas amorosos, familiares e na clássica questão que os assassinos também têm honra, família, e são homens de palavra.

Raios partam! Para quê complicar o que deveria ser simples? Continue reading “Suicide Squad (2016)”

The Jungle Book (2016)

Não li o livro de Rudyard Kipling, pelo que não sei até que ponto esta adaptação de Favreau foi fiel. De qualquer maneira, não é isso que me traz aqui e também não acho que seja de extrema importância adaptar um livro letra por letra.

O filme é bonito de se ver. É fantástico ver toda aquela vida selvagem e pensar que tudo o que vemos é criado por computador. Tenho as minhas dúvidas de o rapaz, Mogli, também não o será… Sim, ainda não é tudo perfeito. Notam-se alguns (poucos) momentos em que o CGI falha, mas são momentos fugazes e não incomodam nem estragam a experiência.

O problema é que um filme não vive só de beleza digital. A história tem que ser também ela interessante e cativante.

E não o foi, quer-me parecer. Falta muito desenvolvimento nas personagens principais. Eu não consegui ficar agarrado a nenhuma delas da forma que queria. Quero com isto dizer, que embora ache os pequenos lobos fofinhos, ou o tigre uma ameaça, nunca chego a torcer de forma profunda por nenhum deles.

Fica tudo num nível bastante baixo em termos emocionais e por isso achei os momentos climáticos (especialmente a música grandiosa) sensaborão. Na verdade, nada culmina de uma forma que me agrade particularmente.

E achei as partes em que os animais cantam muito deslocadas do resto da ação. Sem falar que, para o fim, Mogli regressa à sua alcateia em cinco minutos, quando passou dias a vaguear.

Acho que é demasiado simplista e poderia ter sido bem melhor. É extremamente bonito, mas pouco envolvente. Vê-se bem, em família, mas não tem nada o destaque e por isso mesmo não ficará guardado na memória. Pelo menos durante muito tempo…

★★★

The ABCs of Death 2 (2014)

Andava com a sensação de ter visto um filme e não ter escrito nada sobre ele aqui no estaminé. Não é que seja algo de grave ou sequer interessante, mas era uma sensação incómoda, que me estava a perturbar.

Foi então que, ao fazer scroll pela minha pasta de filmes que utilizo como cobaias para eventuais compras legais, vislumbrei «The ABCs of Death 2» e fez-se luz!

Era este o filme que andava a assombrar os meus pensamentos!

Na verdade, estou a exagerar, mas como não tenho nada para fazer nos próximos 20 minutos, decidi escrever algumas palavras acerca do filme.

«The ABCs of Death 2», à semelhança do filme anterior, é uma coleção de 26 curtas-metragens em que, cada uma dessas curtas, retrata a morte relativamente a uma letra do alfabeto.

Todas as curtas são independentes umas das outras, e com realizadores diferentes. Existem animações, stop motion, curtas perturbadores, esquisitas, humorísticas, bizarras, etc.

Apesar de nem todas me terem agradado, tenho que dizer que outras o fizeram. Existe para ali muita diversidade e material de interesse. Acho, inclusive, que algumas curtas, com mais alguns minutos seriam fantásticas.

É a falta de equilíbrio (e de tempo) que prejudica este «The ABCs of Death 2», mas no final vi mais aspetos positivos do que negativos. Para os curiosos, especialmente para os fãs de terror, acho que vale uma espreitadela.

★★★

The Revenant (2015)

Eu queria ter gostado deste filme de forma expressiva. Queria ter embarcado numa jornada de sensações que culminariam num explosivo cocktail de prazer, onde ficaria, pelo menos, meia hora a refletir profundamente e a acenar afirmativamente com a cabeça, embrenhado nos meus pensamentos:

«Foda-se, isto sim, é um filme. Genial Iñárritu. Genial DiCaprio.»

Nope! Não foi o que aconteceu.

Não quero que me interpretem mal. «The Revenant» tem alguns aspetos muito positivos, nomeadamente a fotografia, as interpretações (especialmente a de Tom Hardy) e a realização (aqui nem sempre) de Iñárritu.

O problema é que o filme é demasiado loooongo. A história é simples. Ao fim e ao cabo, trata-se de um survival em que o protagonista, que perdeu a família toda, deseja apenas vingança.

Nada contra. «Gravity», de Cuarón, também tem uma história simples e eu adoro o filme. «Gravity», no entanto, soube dosear o pouco que tinha para mostrar.

«The Revenant», não!

Arrasta-se em demasia pelos planos e sequências de contemplação, tem «munbojumbo» espiritual que em vez de tornar tudo mais intenso, emocional e transcendente, só aborrece e faz revirar os olhos.

Para quê esticar tanto um argumento? Porquê? Ou sou eu que não percebo puto de todo aquele existencialismo profundo?

Além do mais, a sobrevivência da personagem de DiCaprio, Glass, roça o absurdo. Eu até sou elástico, mas existem limites nessa minha elasticidade. Quando vi Glass cair de uma ravina enquanto cavalgava a fugir de uns índios, essa elasticidade quebrou.

Já agora, hipotermia não existia naqueles tempos?

Ao fim e ao cabo, «The Revenant», apesar de tecnicamente notável, acabou por ser um filme frio e distante. Mais ou menos como as paisagens que são mostradas. Lindo de se ver, mas incapaz de criar qualquer ligação genuína comigo.

★★★