O regresso aos universos de Fringe

Lembro-me perfeitamente de acompanhar Fringe. Recordava-me dos finais espetaculares, sempre inesperados, de temporada. Recordava-me do elenco fortíssimo. Recordava Walter Bishop com saudosismo. A sua demanda e o seu amor pelo filho, filhos, inabalável. Recordava Peter Bishop, o filho, que se tornou pai. Olivia Dunham a agente “sem emoções” que afinal era a mais emotiva. Astrid, a quem Walter trocava sempre o nome. Broyles ,com a sua postura. Nina Sharp, Belly, etc.

Enfim, recordava-me de alguns casos também, mas a verdade é que o que mais tinha ficado comigo era toda a mitologia e simbolismo de um universo em constante perigo, por causa de um ato egoísta, mas ao mesmo tempo de profundo amor.

Fringe, a par de Lost, foi uma das séries que mais prazer me deu acompanhar nos últimos anos. Sim, sem dúvida.

Mas, como seria se decidisse rever a série? A minha opinião mudaria?

Não!

Depois de rever nas últimas semanas as 5 temporadas de Fringe, continuo a achar que é uma série que merece a pena ser vista. Acho que quem nunca viu e quiser experimentar uma mistura entre X-Files e Twilight Zone, com muita ficção-científica, tem aqui uma boa aposta.

Fringe gira em torno de uma equipa especial de agentes que investigam casos sempre estranhos, a roçar o paranormal, geralmente envolvendo ciência avançada. Á medida que a série vai avançando, começa a surgir uma mitologia muito própria e os arcos narrativos das personagens vão ganhando força, sobrepondo-se aos casos isolados.

Ás páginas tantas, surgem universos alternativos, versões das personagens alternativas, pessoas que vêm do futuro, linhas temporais diferentes que eventualmente parecem misturar-se.

Enfim, Fringe vai-se tornando mais complexa e interessante, deixando mais de lado os chamados “casos da semana” e focando-se nas personagens, nas suas ações e posteriores consequências.

Fringe torna-se, também, um pouco mais “humana” à medida que se aproxima do seu final. O que não deixa de ser irónico, tendo em conta os adversários da última temporada.

Olivia – She’s Alive Inside us. And there’s nothing Windmark can do about it because the love that we can share with her now is invulnerable to space and time, even to them. And I know that our hearts are broken and that it hurts but that’s what make us human.
Peter – Emotion is our weakness.
Olivia – No Peter, is our strength, because it’s the one thing they don´t have.

Foi bom regressar para junto de Wallter, Peter, Olivia, Astrid, Broyles e Nina.

Fringe nunca foi perfeita, mas soube ser irreverente nos melhores momentos, especialmente nos finais de temporada. Acho também que existiu sempre muito “coração” na série.

Lembro-me perfeitamente da incerteza que pairou em relação à renovação para a 4º temporada e depois para a 5º e última. Lembro-me de toda a força que os fãs deram para que Fringe continuasse, apesar das baixas audiências. Lembro-me da alegria que tive quando soube que iríamos assistir a um final digno.

Em boa verdade, quando chegamos ao último episódio e a um dos momentos mais emotivos que me lembro de ver numa série de televisão – John Noble e Joshua Jackson foram maravilhosos. É impossível não sentir cada palavra que Walter diz – acho que para além da despedida entre pai e filho, também existiu ali uma despedida entre produtores e fãs.

E foi perfeita!

Walter – I don’t want you to be sad. The time we had together we stole. I cheated fate to be with you.
And we shouldn’t have had that time together, but we did. And I wouldn’t change it for the world.
I don’t want to say good-bye. But I will say I love you, son.

O tempo que os fãs tiveram com a última temporada de Fringe foi mesmo roubado. E eu não o trocaria por nada.

Fringe foi e continua a ser uma das minhas coisas favoritas.

Altered Carbon: mudar de corpo

Não seria bom podermos guardar a nossa consciência em pequenos discos, para assim que o nosso corpo físico pereça possamos transferi-la para um outro corpo diferente e continuarmos a viver ad infinitum?

Parece porreiro, sim senhor, mas Carbono Alterado vem mostrar que, se calhar, isso não seria (será?) tão porreiro assim.

Esta nova série da Netflix conta com altos valores de produção e isso reflecte-se, principalmente, nos visuais apresentados. O futuro cyberpunk de Carbono Alterado, está muito verosímil e palpável. Os efeitos especiais, por exemplo, não ficam nada a dever às grandes produções de Hollywood.

A escrita e as actuações não estão ao mesmo nível, mas não desiludem, nem comprometem em nada.

Pessoalmente gostei bastante do ator principal, Joel Kinnaman e da inteligência artificial representada por Chris Conner. Aliás, a inteligência artifical chega a ser bem mais “humana” que alguns dos humanos que por ali andam.

De resto, é uma série bastante negra, futurista, com realidade virtual misturada com transferências de consciências, questões existenciais, mudança de corpos, clones e backups de memórias na cloud, sangue, sexo, algum wtf e muita acção sem descurar, claro, os momentos mais dramáticos.

São muitas questões morais a serem exploradas, ao mesmo tempo que um individuo tenta resolver um crime que na verdade faz parte de uma espécie de conspiração maior.

Eu gostei e recomendo, especialmente a quem for fã de ficção científica.

Erased: mudar o passado

O Netflix tinha acabado de lançar esta série e eu, após ler a sinopse e ver que a duração dos episódios era curta – devo dizer que após Dark, uma série com episódios de 20 minutos parecia ser o que mais precisava – decidi experimentar e dar uma hipótese.

Portanto, Erased (Bokudake ga Inai Machi) é uma série japonesa baseada num animé japonês que por sua vez é baseado num manga japonês. E, meus amigos, nota-se claramente que estamos a ver um produto nipónico live action baseado num animé.

Para ser sincero, eu gostei. Aliás, incluí Erased nas melhores séries que vi em 2017. Não é que seja absolutamente indispensável, mas cativou-me. Existe uma inocência tipicamente japonesa, uma forma de contar histórias muito própria, paradoxos temporais à parte, que eu gostei bastante.

E, depois, é tudo muito competente em Erased, seja o elenco (as crianças são adoráveis, especialmente o ator principal) ou a realização (belíssima fotografia), e o facto dos episódios serem curtinhos com uma boa dose de mistério e drama – aliás, o busílis de Erased centra-se na solidão e na forma com ela molda as pessoas e as muda – não tornam a coisa aborrecida, existindo uma vontade de ver o próximo episódio.

Agora a ver se vejo o animé.

Top 5 – Séries de 2017

Chegou a vez de fazer o meu top das melhores séries que eu vi este ano. Não vi muitas, mas ainda assim vi mais séries do que filmes. Sem enrolar mais, aqui fica a lista:

1 – Game Of Thrones (temporada 7)

O final aproxima-se e esta sétima temporada teve momentos bastante bons e elevados níveis de produção.

2 – Dark (Temporada 1)

Fotografia de enorme qualidade e um mindfuck alemão que hipnotiza e confunde.

3 – Stranger Things (Temporada 2)

As coisas continuam bem estranhas para as crianças mais adoraveis da televisão. Aham, e a banda sonora mantém a excelência.

4 – The Expanse (Temporada 1 e 2)

Série de ficção científica muito interessante com uma conspiração central que é uma fachada para outra conspiração ainda maior.

5 – Erased (Temporada 1)

Na verdade, as crianças em Erased são as mais adoráveis da televisão.  Episódios pequenos, cultura japonesa e história suficientemente cativante.

Dark: o tudo é agora

É certo que Dark aproveita o sucesso de Stranger Things em algumas coisas, mas é uma experiência à parte.

Ainda não sei bem se não fui ludibriado pela excelente música ou pela fotografia fantástica, que me fizeram ficar embrulhado numa centrifugadora de momentos paradoxais mindfucking hipnotizantes.

Uma cena: podem pensar que seria porreiro ter o vosso eu futuro a falar com o vosso eu presente que entretanto andou pelo passado a fuçar, (e que depois vai para o futuro também) mas, se pensarem bem e ouvirem o nosso amigo Jonas, não é porreiro, é chato, pois podem acabar por andar aos beijos à vossa tia! E gostar!

The Glitch: de volta à vida

Numa pequena cidade acontece o impossível: seis mortos ressuscitam! É um acontecimento que vai tornar a vida do polícia James Hayes um verdadeiro rodopio de emoções, uma vez que ele testemunha essa ressurreição e decide manter os ressuscitados em segredo e sob sua alçada pessoal.

Esta série tem uma premissa interessante e foi com relativo interesse que vi as duas temporadas até ao fim.

Na verdade achei a primeira melhor que a segunda. Pareceu-me que, à medida que vão sendo revelado alguns segredos, a coisa começou a tornar-se um pouco absurda demais.

Eu sei, pessoas mortas que voltam já é absurdo que chegue. Mas… Não sei bem, acho que a série perdeu um pouco o rumo e qualidade na segunda temporada.

Os primeiros seis episódios focam-se muito nas personagens e eu gostei disso. Aquelas pessoas não se lembram da vida que tiveram, muito menos porque ressuscitaram, mas a série vai mostrando aos poucos a vida que eles tiveram e às vezes nem tudo o que parece é.

A mitologia da série também marca presença, mas o que mais me despertava interesse era saber o que aconteceu com aquelas seis pessoas em vida. Saber porque razão ressuscitaram era menos importante. Pelo menos para mim.

A segunda temporada, embora continue a focar nos ressuscitados, expande a mitologia e foca-se mais nas perguntas: Porque razão estão vivos? Como é que isso aconteceu?

Não gostei de algumas coisas que foram introduzidas na mitologia da série e confesso que à medida que o mistério se vai dissipando, o meu interesse também diminui.

De qualquer maneira, acho que The Glitch vale uma espreitadela. Embora exista por ali algum exagero no drama, e tenha perdido um pouco de interesse e força nos últimos episódios, devo dizer que estou com alguma curiosidade em saber o que aí vem numa terceira temporada.

Slasher :eu sei o que vocês fizeram

É mesmo original ter como título Slasher, devo dizer. De qualquer maneira, e como o Netflix me sugeriu esta série, que é de terror e para maiores de 16 anos – o que implicava alguma violência e sangue onscreen – decidi encolher os ombros e carregar no play.

É a “clássica” história da malta que se encontra num sítio no meio do nada, sem rede como é óbvio, e que começa a ser dizimida.

Claro que para a coisa ser mais interessante, a malta divide-se em dois grupos: a malta que já se encontrava no lugar isolado e a malta que vai para o lugar isolado porque tem um segredo obscuro que se torna num problema grave e então têm que arregaçar as mangas e resolver o problema grave, que consiste em ir buscar o cadáver de uma jovem que mataram numa noite que se descontrolou após se descobrirem segredos e ciúmes e traições que envolvem sexo e humilhações e, basicamente, todas as bodegas que a malta jovem faz quando não sabe utilizar o cérebro de forma adequada.

E pronto. Estão a ver a premissa do I know what you did last summer? Basicamente a mesma porcaria.

É verdade que existe sempre curiosidade em descobrir quem é o assassino, e algumas mortes são bem violentas e gráficas. Os diálogos e as personagens também não são maus, e embora nada seja espetacular, achei que a coisa fluiu de forma suficientemente interessante.

Lá está, tudo o que esta segunda temporada de Slasher oferece não é nada de novo. Já se viu muitas vezes. Mas também já vi pior.

ps: Como curiosidade, no final, descobri que vi a segunda temporada, mas isso até nem me irritou muito, uma vez que Slasher faz parte das séries que têm um história diferente em cada temporada. E se calhar até vou ficar por aqui, uma vez que as interwebs não falam muito bem da primeira.