Apesar de ter as minhas expetativas bem elevadas quanto à qualidade deste jogo, tenho que dizer que este indie superou-as largamente. A bem da verdade, Hollow Knight é um dos melhores jogos que passou pelas minhas mãos nos últimos tempos.

A Team Cherry criou um “pequeno” universo, ou melhor, um “pequeno” reino fascinante. Desde os primeiro momentos que se nota que vem aí algo de muito bom, e à medida que vamos jogando, é incrível o quão vamos ficando embrenhados na história e viciados na jogabilidade.

O mistério aguçava a minha curiosidade. O tempo passava e eu não queria parar de jogar.

O jogo é um metroidvania que convida à exploração de Hallownest, um reino habitado por insetos, heróis e criaturas misteriosas, caído em desgraça. Ruínas antigas, cidades esquecidas, cavernas sombrias, jardins, montanhas… Hallownest é belíssimo!

Existe uma melancolia que nos acompanha à medida que vamos trilhando as profundezas. Uma certa tristeza, também.

É como se estivéssemos a testemunhar as memórias de algo que outrora fora grandioso mas que agora lida com uma infeção tenebrosa que vai sugando a vida daquela região. Ao mesmo tempo ainda existem aqueles que vão resistindo, tentando manter a esperança viva.

Quando cheguei pela primeira vez à City of Tears, só me apetecia sentar num dos bancos, à chuva, e ficar ali parado, sem saber bem como me sentir; se triste por estar numa cidade “esquecida”, ou feliz por ainda a conseguir ver.

Existem vários momentos espetaculares em Hollow Knight..

A música é também excelente, dando a ênfase se correta aos momentos, contribuindo para a experiência, tornando tudo coeso e memorável.

O jogo convida à exploração, já o disse, mas pode ser por vezes um pouco esmagador na maneira como apresente essa mesma exploração. Somos “abandonados” num reino enorme, sem saber bem para onde ir e, embora seja imensamente recompensador ir desvendando as várias zonas, é também bastante difícil.

Hollow Knight é implacável e muito desafiante. Os bosses são um dos pontos altos e são bastantes e todos eles diferentes. Memorizar padrões e ter reflexos rápidos é essencial neste jogo.

Preparem-se para morrer muitas vezes.

De qualquer maneira, nunca me senti frustrado. O jogo responde bem aos comandos e é uma delícia controlar a personagem principal. Pessoalmente adoro jogos que não tentam explicar tudo e facilitar com tutoriais a torto e a direito.

Em Hollow Knight somos nós, a nossa destreza e perícia.

Não foi fácil desvendar os segredos de Hallownest, é verdade, mas a dificuldade contribuiu imenso para tornar a aventura ainda mais inesquecível. Essa dificuldade e “abandono”, sem grande ajuda, da personagem principal numa área gigante também torna o jogo mais pessoal, pois  faz com que cada um trilhe os caminhos de Hollownest à sua maneira.

Sem me alongar muito mais, ainda a quente, posso dizer que foi um dos melhores jogos que joguei este ano. Preciso ainda de mais tempo para poder dizer se foi um dos melhores de sempre. As 40 horas de jogo (para já), a percentagem de jogo completo estar nos 100% e a vontade em continuar a trilhar os caminhos de Hollownest, ou simplesmente estar sentado a ver a chuva cair ao som desta música, ainda ser grande, são bons indicadores.

Os meus parabéns à Team Cherry. Belíssimo jogo.

Publicado por Ricardo JM Vieira

Vibro mais do que gostaria pelo Benfica, cinéfilo de corpo inteiro, fotógrafo de ocasião, destruidor de koopas e bokoblins, devorador de séries, leitor de fantasia, geek e nerd, não necessariamente ao mesmo tempo. Ah, e apaixonado por animais.