Rime: a dor de deixar ir

Lembro-me perfeitamente de ter ficado muito agradado com o trailer de apresentação de Rime na Gamescom de 2013. Esteticamente lindíssimo, a fazer-me lembrar The Legend of Zelda: The Wind Waker, soube naquela altura que seria um jogo a experimentar.

Infelizmente, o caminho que a malta da Tequilla Works teve que trilhar para terminar este jogo, pareceu ser um pouco sinuoso e foram precisos quase mais 4 anos para que, finalmente, pudéssemos ter a oportunidade de o “viver”.

Olhando agora para o primeiro trailer e para o do ano seguinte, vejo várias diferenças relativamente à versão final. Não sei se a equipa tinha uma ideia definida desde o início, mas parece-me que houveram algumas mudanças. Aliás, o director do jogo admitiu que o jogo foi revelado cedo demais e que aquele trailer inicial trouxe demasiada pressão para a equipa de desenvolvimento.

Se calhar por isso, Rime demorou tanto tempo a sair…

De qualquer maneira, após mais de 4 anos à espera, eis que Rime fica disponível para a Nintendo Switch!

Finalmente! Agora só faltava jogar e ver se, realmente, tinha valido a pena esperar pelo jogo.

E, na minha opinião, valeu sim!

Rime é bastante interessante, muito bonito e com uma belíssima banda sonora. A história é misteriosa e até, de certa forma, confusa. O jogo vive muito de metáforas, analogias e simbolismo. Na primeira vez que o exploramos, não conseguimos absorver tudo e as revelações vão chegando a conta-gotas. No entanto, após chegarmos ao fim, tudo fica mais claro e se formos jogar outra vez, começamos a reparar em imensos pormenores e a fazer conexões, percebendo melhor todo o simbolismo presente em Rime.

Na verdade, a história é muito tocante e todo o ambiente, a harmonia entre a banda sonora, os visuais e a forma como resolvemos os quebra-cabeças, conjugam-se de uma forma bastante única.

Agora, vamos lá ver uma coisa: Rime poderia ter sido ainda melhor, caso não sofresse de vários problemas técnicos. Falo no passado, porque a Tequilla Works lançou um patch de correção que resolveu muitos dos problemas que assolavam este jogo. No entanto, eu joguei-o antes desta correção e confesso que sofri com as várias quebras de framerate e com a imagem borrada da versão portátil.

Mas enfim, não vale a pena trazer negatividade.

A verdade é que Rime agora está muito melhor. Ainda não está perfeito, pois ainda existem algumas quebras no framerate, mas são bem menos constantes e já não distraem tanto. O jogo está muito mais estável. Quem me dera ter jogado assim pela primeira vez…

Para além do mais, a qualidade dos visuais foi melhorada e agora é perfeitamente possível jogar Rime em modo portátil. Antes era horrível, devo dizer.

Portanto, e para concluir, deixo aqui o meu selo de aprovação. Rime é um bom Indie. Nota-se que foi feito com paixão e honestidade e, embora tenha os seus problemas técnicos e seja, por vezes, demasiado vago, no final tudo faz sentido.

È uma espécie de metáfora artística para a tristeza, dor e pesar em forma de videojogo. Essa complexidade de sentimentos pode ser confusa e, por vezes, pesada, mas também pode ser bonita e memorável.

Ah, e especial!

Sobre Ricardo JM Vieira

Vibro mais do que gostaria pelo Benfica, cinéfilo de corpo inteiro, fotógrafo de ocasião, destruidor de koopas e bokoblins, devorador de séries, leitor de fantasia, geek e nerd, não necessariamente ao mesmo tempo. Ah, e apaixonado por animais.
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