The Revenant (2015)

DF-14050R – Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) struggles to stay warm during a vicious winter.

Eu queria ter gostado deste filme de forma expressiva. Queria ter embarcado numa jornada de sensações que culminariam num explosivo cocktail de prazer, onde ficaria, pelo menos, meia hora a refletir profundamente e a acenar afirmativamente com a cabeça, embrenhado nos meus pensamentos:

«Foda-se, isto sim, é um filme. Genial Iñárritu. Genial DiCaprio.»

Nope! Não foi o que aconteceu.

Não quero que me interpretem mal. «The Revenant» tem alguns aspetos muito positivos, nomeadamente a fotografia, as interpretações (especialmente a de Tom Hardy) e a realização (aqui nem sempre) de Iñárritu.

O problema é que o filme é demasiado loooongo. A história é simples. Ao fim e ao cabo, trata-se de um survival em que o protagonista, que perdeu a família toda, deseja apenas vingança.

Nada contra. «Gravity», de Cuarón, também tem uma história simples e eu adoro o filme. «Gravity», no entanto, soube dosear o pouco que tinha para mostrar.

«The Revenant», não!

Arrasta-se em demasia pelos planos e sequências de contemplação, tem «munbojumbo» espiritual que em vez de tornar tudo mais intenso, emocional e transcendente, só aborrece e faz revirar os olhos.

Para quê esticar tanto um argumento? Porquê? Ou sou eu que não percebo puto de todo aquele existencialismo profundo?

Além do mais, a sobrevivência da personagem de DiCaprio, Glass, roça o absurdo. Eu até sou elástico, mas existem limites nessa minha elasticidade. Quando vi Glass cair de uma ravina enquanto cavalgava a fugir de uns índios, essa elasticidade quebrou.

Já agora, hipotermia não existia naqueles tempos?

Ao fim e ao cabo, «The Revenant», apesar de tecnicamente notável, acabou por ser um filme frio e distante. Mais ou menos como as paisagens que são mostradas. Lindo de se ver, mas incapaz de criar qualquer ligação genuína comigo.

★★★

Autor: Ricardo JM Vieira

Tenho a mania das artes e acho que o sentido de humor é das melhores coisas inventadas pela humanidade. Eu, pelo menos, gostava de ter.

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