Obrigado pelos gritos, Wes Craven

Wes Craven

Desde novo que tenho fascínio pelo cinema. Lembro-me perfeitamente das tardes, em criança, que passava em frente a um pedação de plástico com um ecrã à frente. Ficava ali pasmado a ver imagens em movimento, a escutar o que era dito a ouvir as melodias que saíam da caixinha mágica.

Era muito novo. Tudo aquilo parecia magia. Especialmente os filmes, que me faziam sentir parte de histórias e de vidas. Umas emocionantes, outras fascinantes e ainda algumas assustadoras.

E eram as assustadoras que me prendiam mais. Havia algo nelas, quase magnético, que me atraía. Ainda mantenho este meu gosto pelo terror no cinema, mas já não tapo os olhos nem sinto o meu coração a palpitar com a iminência de uma morte ou o surgimento de um monstro no ecrã.

Naquela altura não ligava muito aos nomes de quem trazia todo aquele espetáculo até mim. Os créditos não significavam grande coisa, mas à medida que ia ficando familiarizado com as caras dos atores, comecei a decorar nomes e a perceber que alguns destacavam-se de outros.

Dos atores aos realizador foi um tiro. E um dos que conheci primeiro foi Wes Craven. O responsável? Scream 2!

É verdade, sou da geração que viu Scream chegar como uma brisa de ar fresco num género algo deixado de parte. Fiz parte de toda uma loucura pela máscara branca com a boca aberta em desespero.

Quando vi Scream 2 pela primeira vez, achei aquilo tão genial como demente. Um humor negro, um jogo do rato e do gato que me agradavam muito. O filme influenciou-me tanto, que vi-o demasiadas vezes. Sabia cenas de cor, queria comprar a máscara e escrever o meu próprio slasher.

Quem seria o homem que tinha trazido aquilo para a minha vida sem sentido de adolescente. Subitamente, fazia parte de algo.

Wes Craven.

Wes Craven memorial

Para ser justo, Kevin Williamson também fez parte desta altura da minha vida. Não só com Scream, mas também mais tarde com Dawson’s Creek. Sim, eu vi esta série.

De Scream 2 passei para o Scream original e ainda fiquei mais fascinado. Era melhor em tudo, com uma sequência inicial mordaz e diferente. Com um final ainda mais. O jogo do gato e do rato era ainda mais visceral e magnético.

Daí passei para Nightmare on Elm Street e conheci Fred Krueger. Era oficial! Wes Craven era um dos meus mentores, ainda que sem presença física perto de mim. Uma influência numa época da minha vida, em que as borbulhas e as amizades pareciam que iam durar para sempre.

Wes Craven também parecia que ia durar para sempre. Ainda esperava dele um novo Scream. Uma nova lufada de ar fresco. Outra personagem carismática. Algo que fizessse uma nova geração de jovens sentir o que eu senti há uns anos atrás.

Mas nada dura para sempre. Fisicamente, pelo menos.

Fica o legado. Fica a influência. Fica o meu respeito e agradecimento pelos momentos passados. Pelas tardes na escola a falar com os amigos sobre o Ghostface. Pela ansiedade em encontrar um novo filme seu. Pelas noites em casa a escrever o meu próprio slasher.

Até sempre mentor.

Rip Wes Craven

Autor: Ricardo JM Vieira

Tenho a mania das artes e acho que o sentido de humor é das melhores coisas inventadas pela humanidade. Eu, pelo menos, gostava de ter.

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