Whiplash (2014)

Whiplash

Ambição ou obsessão? E qual o melhor método de ensino? Estaremos a ficar moles e a suavizar o verdadeiro significado de «bom trabalho»?

Houveram momentos, durante a minha sessão, em que balbuciei, entredentes, «que cabrão, foda-se!». Com raiva genuína. E eu sou um gajo que vês os filmes calado, sem esboçar grandes emoções. Mesmo que por dentro esteja a chorar ou a rir, normalmente estou sempre com uma «poker face», digna de incomodar Daniel Negreanu.

Mas Fletcher, o professor de música interpretado por J. K. Simmons, chega a ser perturbador. Simmons é tão bom na sua atuação, que fiquei verdadeiramente incomodado.

E isso é bom. O cinema é melhor quando provoca em nós qualquer tipo de emoção, não é verdade.

Na verdade, Miles Teller, que interpreta Andrew, um aspirante a baterista, também é perturbador. De certa forma, ele e o seu professor são parecidos. Ambos procuram a perfeição. E, para a atingir, não têm grandes problemas em utilizar métodos duros. Ou perder a sua humanidade no processo.

«Um manda. O outro obedece. Como podem ser parecidos, pá?»

O final, que me impressionou muito, mostra isso da melhor forma. Ambos mandam e ambos obedecem. Ambos sabem que aquele é O momento. A perfeição que tanto procuram e desejam, está ali. E eles fundem-se.

Pois todo o suor, toda a paixão, todas as zangas, toda a humilhação, todo o rancor, todas as ordem gritadas e todas as ordens acatadas, todos os sacrifícios, todas as dúvidas e todas as certezas culminam no momento pelo qual serão lembrados.

É verdade que os métodos de ensino são demasiado violentos. Pessoalmente não acho que sejam necessariamente necessários, ou melhor, acho que para se atingir a perfeição, não é preciso atirarem-se cadeiras aos alunos. Eu não seria capaz de os fazer e muito menos de os suportar.

Mas percebo Fletcher e Andrew. Graças às suas personalidades, ambos atingiram aquilo que queriam. No fundo, é um ensaio brutal sobre a ambição e resiliência.

De qualquer maneira, «Whiplash» artisticamente – Daniele Chazelle excelente atrás das câmaras – é muito bom. O ato final é dos melhores que já vi em cinema! Simplesmente soberbo.

Mesmo que não gostem das personagens, mesmo que achem aquilo tudo um abuso e mesmo que achem que aquilo não representa minimamente o Jazz, vejam.

Autor: Ricardo JM Vieira

Tenho a mania das artes e acho que o sentido de humor é das melhores coisas inventadas pela humanidade. Eu, pelo menos, gostava de ter.

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