The Babadook (2014)

The Babadook

Aqui está um filme de terror que, apesar de ter inúmeros lugares-comuns, é mais inteligente do que parece. Até porque a forma como é conduzido, deixa no ar duas diferentes interpretações.

Estamos perante a presença de uma entidade sobrenatural? Ou estamos perante um caso de paranóia, de uma luta desigual perante aquilo que nos atormenta?

Para mim, The Babadook está mais na linha da segunda interpretação. Mas também funciona bem com a primeira.

A história acompanha a vida de uma mulher, Amelia (Essie Davis), que debate-se para tentar cuidar da vida do seu filho Samuel (Noah Wiseman). Amelia é viúva, pois perdeu o marido, quando este a levava para o hospital para ter Samuel.

Esse acontecimento trágico marcou a vida de ambos. Amelia, sempre que vê algum casal apaixonado, não disfarça a tristeza, pois lembra-se do seu marido. Para piorar a situação, Samuel não é uma criança normal. Parece viver no seu próprio mundo, dizendo tudo aquilo que pensa (causando imensos dissabores) e ultimamente anda obcecado com um monstro imaginário, um tal de Senhor Babadook.

A vida de Amelia vai ficando cada vez mais stressante e insuportável. Convenhamos que, ter de lidar com uma criança que ninguém gosta e aturar uma entidade sobrenatural que o que faz da vida é atormentar, não deve ser nada fácil. Ainda por cima quando se está sozinho!

Por isso é que acho que, na verdade, o Senhor Babadook, pode ser visto (também) como uma metáfora. O Senhor Babadook é a personificação dos demónios de Amelia. Demónios que ela mantinha escondidos, bem no cantinho da sua mente.

Toda a gente via que ela não tinha recuperado da morte do seu marido. Até o seu filho. Menos ela. O problema é que esses demónios, um dia, tinham que sair. E oh, se saíram!

The Babadook é mais terror psicológico que outra coisa. Recorre a um ambiente de opressão e constante paranoia, em detrimento de barulhos repentinos e gore apenas porque sim.

Tem também a ajuda preciosa dos atores principais, pois ambos conseguiram estar muito bem nos seus papéis. Kudos para o jovem Noah Wiseman.

A cinematografia também está muito interessante e os efeitos sonoros muito bem editados. A cena do confronto entre Amelia e o monstro (os seus demónios) está espetacular. Uma prova como não se é preciso efeitos especiais de topo. Basta saber criar um bom ambiente de tensão e jogar da melhor maneira com as personalidades das pessoas envolvidas.

Um bom início para Jennifer Kent atrás das câmaras. Será um nome que irei seguir atentamente.

Uma boa surpresa, este filme. É um tipo de terror que me agrada particularmente. É mais por sugestão, como se andasse algo a caminhar pelas sombras da casa. Algo que nunca conseguimos ver na sua plenitude. Que nos vai consumindo por dentro. Consumindo cada vez mais.

E isso é interessante, especialmente se for bem feito.

Autor: Ricardo JM Vieira

Tenho a mania das artes e acho que o sentido de humor é das melhores coisas inventadas pela humanidade. Eu, pelo menos, gostava de ter.

2 thoughts on “The Babadook (2014)”

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