Godzilla (2014)

Godzilla

O rei dos monstros, trazido para o cinema por Ishirô Honda em 1956, estava meio esquecido. A verdade é que o original criou uma febre incrível, tendo dado azo a várias sequelas. Nesse ano nasceu uma lenda. Uma figura icónica de nome Gojira, ou no ocidente, Godzilla!

Mas a crescente utilização do monstro em filmes de qualidade duvidosa, a dificuldade em trazê-lo para o cinema moderno e o sucesso na criação e adaptação de outros monstros, estava a fazer esquecer Godzilla. A sua importância começava a diminuir.

No entanto, havia ainda quem acreditasse que a personagem ainda tinha força suficiente para renascer das cinzas, qual Fénix.

A primeira tentativa de Hollywood, veio pelas mão de Emmerich, o rei da porn destruction. Foi um falhanço tremendo. Apesar de tudo, esse Godzilla marcou-me.

Godzilla ficou, mais uma vez, algo esquecido. Até que começaram a surgir notícias que, mais uma vez, alguém queria tentar devolver o prestígio ao monstro radioativo. Gareth Edwards era o homem, a esperança dos fãs.

Na altura também fiquei entusiasmado com o anúncio de um novo filme. À medida que iam saindo mais notícias acerca da nova adaptação, ia criando mais expectativas.

A coisa parecia que ia por um bom caminho. Imagens boas, elenco interessante, trailers espetaculares e a promessa que, desta vez, o rei dos monstros seria respeitado. Seria um filme moderno, mas onde o original seria homenageado. Não haveriam excessos.

Confesso que tinha achado o anterior filme do realizador, Monsters, uma seca tremenda, mas tinha que dar o benefício da dúvida.

Agora, após ter visto o filme, posso dizer que, 16 anos depois, eis que Godzilla regressa à luta, para tentar recuperar o seu prestígio. Não o faz de forma estrondosa. Mas, por exemplo, faz esquecer o anterior de Emmerich e lança as fundações para novas sequelas.

Este novo Godzilla, de facto, tenta homenagear o original de 1956. Em primeiro lugar, a nova versão do monstro, não difere muito. Godzilla foi modernizado, trazido à vida por efeitos especiais fantásticos, mas faz lembrar o original. Aquele em que um ator vestia um fato de borracha.

Gostei bastante. É uma espécie de mistura entre o clássico e o moderno.

Gareth Edwards aposta mais na antecipação. Vai criando ansiedade, escondendo ao máximo a primeira aparição total do monstro. É um risco fazer isso, porque a audiência moderna está demasiado habituada a que seja tudo mostrado o mais rapidamente possível, entre movimentos de câmara tremidos e psicadélicos.

Mas Gareth sabe que a antecipação é uma forma extraordinária de manter quem está a ver interessado. Vamos vendo o monstro aos poucos. Vamo-nos habituando à sua escala, que é tremenda diga-se, e quando ele surge em todo o seu esplendor, a recompensa é maior.

Ele é o Rei. Quando aparece tem que impor respeito. E oh, se o faz!

No entanto, o argumento não é muito equilibrado.

A história é simples. Nada contra. No final, resume-se a pancadaria entre criaturas gigantes, enquanto os humanos vão assistindo impotentes. E essa pancadaria está excelente, tenho que dizê-lo. Em grande escala, visualmente incrível, com direito a movimentos icónicos, como o sopro atómico.

Mas, a parte humana do filme não envolve emocionalmente quem está a ver. Minimamente. Eu gostei da mensagem subjacente de que os humanos nada podiam contra a força da natureza, mas Edwards tentou meter lá pelo meio um drama familiar.

Mas falhou.

Aaron-Taylor Johnson, simplesmente não tem carisma para o papel que lhe foi dado. Não é só ele. Existem personagens uni-dimensionais, que tanto valia estarem ali, como estarem a assar frangos noutro sítio qualquer. Não são desenvolvidos da melhor forma e isso reflete-se na qualidade do filme.

Ken Watanabe, por exemplo, passa a maior parte do tempo de boca aberta. Eu sei que Godzilla provoca estupefação, mas a certa altura já estava a ser ridículo. No entanto, Kudos para o momento em que ele diz “Gojira“!

Não entendo também, como acharam por bem terem morto a personagem de Bryan Cranston. O homem sempre que entrava em cena, aumentava a qualidade do filme exponencialmente.

Por causa desse distanciamento emocional, falta de carisma e profundidade, das personagens humanas (algum é intencional, mas não todo), o filme perde qualidade e fica menos bom. Daí algum aborrecimento que possa surgir, uma vez que a parte humana não consegue cativar. Ficamos apenas à espera que surjam os monstros e que comecem a semear a destruição.

Apesar dessas falhas, Godzilla é um bom filme, quando faz aquilo a que se propôs. Podia ter sido melhor, caso as personagens humanas fossem mais interessantes. Mas entretém, visualmente é um mimo com sequências e momentos de cortar a respiração, faz uma homenagem ao clássico de 1956 e traz o monstro gigante de volta para o pódio. Podia ter sido para o trono, mas ainda não foi desta.

O futuro, no entanto, parece promissor. Se se corrigirem algumas coisas, a sequela poderá tornar-se numa referência para os filmes de bestas gigantes.

imdb trailer

★★★★★★★★☆☆

Autor: Ricardo JM Vieira

Tenho a mania das artes e acho que o sentido de humor é das melhores coisas inventadas pela humanidade. Eu, pelo menos, gostava de ter.

1 thought on “Godzilla (2014)”

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