Crítica – Noah (2014)

Noah

Existem poucos realizadores que se podem gabar de criar, consecutivamente, filmes de qualidade. Mas são esses que criam as melhores expetativas, pois habituam quem está do lado de cá da tela, a terem as melhores experiências.

O problema é que existe sempre a possibilidade de ocorrer uma falha. Um filme menos bom, uma desilusão. Foi o que aconteceu com o mais recente filme de Aronofsky.

Darren Aronofsky é um dos meus realizadores favoritos, autor de excelentes filmes como, por exemplo, Requiem For a Dream, Black Swan e ainda, talvez o meu favorito de sempre o The Fountain.

Não era de admirar, pois então, que antecipasse Noah de forma exuberante. Ainda não tinha ficado desapontado com nenhum dos seus filmes e, trazer para o grande ecrã a vida de uma das personagens mais icónicas da bíblia, fazia-me acreditar num grande épico. Um blockbuster com miolos.

Mas, na verdade, não foi bem o que aconteceu. Este Noah não é bem a personagem que conhecemos da bíblia. É algo alternativo, com tudo de bom e mau que isso pode trazer.

Não tenho nada contra visões alternativas. O que me interessa é sempre a forma como essa diferença é contada e mostrada. Por isso não me faz muita espécie ver criatura feitas de lama e de pedra no filme.

Aliás, se pensarmos bem, a história bíblica é algo que se pode encaixar no género de ficção.

O primeiro ato é o mais blockbuster possível. A visão de Noah do dilúvio, a criação da arca e o reunir de um casal de todas as espécies animais que vivem na superfície terrestre. Tudo feito de forma espetacular, com efeitos especiais de topo e ângulos de câmara bem dramáticos.

Aronofsky não é conhecido por tamanhas extravagâncias visuais (a não ser The Fountain) e histórias básicas, pelo que esta parte fez-me torcer o nariz. Seria sempre assim? Não estava a ver nada que pudesse distinguir o filme de tantos outros blockbusters.

Quando começa a chuva e a arca está pronta, o filme começa a mudar de tom. Deixa de lado toda a pompa e circunstância, e passa a ser um filme bem mais introspetivo. É aqui que se vê mais Aronofsky.

Mas, mesmo nesta parte mais “solitária”, Aronofsky não consegue estar à altura do seu melhor. Existe ali demasiado exagero e alguma inconsistência.

É um filme algo estranho para mim. Provavelmente teve o dedo dos estúdios pelo meio. Aquela primeira parte é bem prova disso. Talvez não fosse bem este Noah que Aronosfky quisesse mostrar no grande ecrã. Não sei.

Admito que visualmente está muito bom e alguns momentos são bem orquestrados. Mas no cômputo geral, não me agradou por aí além.

imdb trailer

Poster Noah★★★★★★☆☆☆☆  

A great flood is coming! We build a vessel to survive the fall! We build an Ark.

Autor: Ricardo JM Vieira

Tenho a mania das artes e acho que o sentido de humor é das melhores coisas inventadas pela humanidade. Eu, pelo menos, gostava de ter.

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