Crítica – Robocop (2014)

RobocopO original de 1987, realizado por Verhoeven, é um clássico que retrata com muita violência e sátira um futuro de distopia, com Detroit como pano de fundo. E a versão moderna?

Devo dizer que ia com expectativas baixas para este remake, tentativa de reboot (que pelo final, deixa em aberto possíveis continuações) e, talvez por isso mesmo, tenha ficado surpreendido.

A verdade é que pelas críticas e opiniões que tinha lido por essa Internet fora, especialmente de bloggers que bem estimo, Robocop parecia ser mais um filme que utilizava o nome de um clássico do cinema, para tentar arrancar mais uns dólares á malta.

Mas, como a minha filosofia é, sempre, ver para crer, decidi finalmente dar uma vista de olhos a este Robocop de José Padilha (Tropa de Elite).

É verdade que o filme, no fundo, serve para arrancar uns dólares á malta, mas está longe de ser uma perda de tempo.

É inevitável que surjam comparações com o original. No entanto, penso que muitas das comparações que foram feitas, são injustas. Algumas concordo, mas outras nem tanto. Para mim, esta nova versão é bastante diferente, mas não menos admirável.

E, creio eu, não fossem as negas por parte do estúdio em implementar as ideias todas de Padilha (fala-se que eram-lhe negadas 9 em cada 10 ideias) e o inevitável, mas execrável, corte na violência gráfica para ficar em conformidade com o PG13, este remake teria sido excelente, em todos os pontos.

A essência da história é a mesma que a do original, mas Padilha e o estreante argumentista Joshua Zetumer, souberam adaptá-la aos tempos modernos. No original, Verhoeven criou uma Detroit suja, corrupta e podre, utilizando uma sátira e violências muito fortes. Neste, a cidade está mais limpa, mas nem por isso menos corrupta e podre.

Aliás, a sátira continua presente. E é uma sátira moderna, que critica e expõe de forma clara, os problemas que todos nós sabemos que existem. Especialmente a manipulação que existe nos bastidores, pela imprensa e corporações mais poderosas, que não olham a meios, para obterem dinheiro.

Vale tudo, até utilizar as pessoas como meras peças de xadrez. Aham, especialmente utilizar as pessoas como peças de xadrez.

Nesse quesito, embora Padilha utilize um estilo um pouco menos corrosivo que Verhoeven, o filme mantém o mesmo “charme”.

Depois é dado muito mais ênfase ao conflito homem/máquina. É como se fosse uma versão aproxima de I, Robot. Essa abordagem foi extremamente interessante e deu todo um novo chorrilho de opções.

Confesso que estava a gostar bastante do filme, mas a parte final não manteve a consistência. Soou-me a apressada e um pouco forçada. Penso que Padilha queria ir por outros caminhos, mas foi impedido. É pena, pois acho que este Robocop tem temas e abordagens muito interessantes.

Não fosse a restrição por parte dos investidores (lá está as corporações que querem o dinheiro) e fosse dada total liberdade a Padilha para trazer a sua visão de como seria este Robocop moderno, tenho a convicção que seria um filme muito bom.

Assim, é “só” um filme bom e interessante. Diferente do original mas longe de ser um filme mau. Faltou alguma audácia e consistência, mas consegue agradar e, quem sabe, surpreender. Apesar de ter recebido um tratamento de blockbuster, não é brainless e oco.

Compreendo muitas das críticas que recebeu, mas acho que não as merece todas. E algumas foram muito duras. Tem pontos muito positivos e, em certa parte, é a prova de como devem ser feitos os reboots/remakes.

imdb trailer

Poster Robocop★★★★★★★☆☆☆

I don’t care how sophisticated these machines are Mr. Sellers. A machine doesn’t know what it feels like to be human. It can’t understand the value of human life, why should it be allowed to take one?

Autor: Ricardo JM Vieira

Tenho a mania das artes e acho que o sentido de humor é das melhores coisas inventadas pela humanidade. Eu, pelo menos, gostava de ter.

1 thought on “Crítica – Robocop (2014)”

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