The Thing

Um dos filmes que mais me assustou em criança foi o The Thing de John Carpenter. Na altura, ainda não tinha a visão que tenho agora sobre cinema, mas lembro-me perfeitamente das imagens terríveis em animatronic da criatura. Especialmente quando é vista pela primeira vez. Ah, e aquela cabeça que se solta e ganha umas patas. Terrível! Simplesmente horripilante. Um dos filmes que assombrou a minha infância e adolescência.

Entretanto, cresci, e comecei a apreciar o cinema de uma outra forma. A paixão careceu, quase na medida em que o meu medo por terríveis criaturas – não só a desse filme, como a transformação no The Fly, ou o nascimento do Alien em plena Nostromo – diminuiu.

Quando revi The Thing, pude apreciar uma obra fantástica. Um dos melhores filmes de Carpenter, sem dúvida. Tanto na forma como ele criou um ambiente opressivo e cheio de suspense, como nos magníficos efeitos especiais, sem CGI, e que ainda hoje passam com distinção o teste do tempo.

The Thing é altamente recomendado. Um filme com um ambiente fenomenal, visualmente esplêndido e com uma realização a condizer. Dos melhores da década de 80.

Foi por isso que fiquei apreensivo quando soube que este clássico iria ser refeito. É que The Thing não precisa de remake nenhum. Vejam-no e digam-me se é preciso mudar alguma coisa. Só se for tornando-o mais insípido, vazio e repleto de CGI. E a cereja no topo do bolo, seria classificando-o como PG13, como está tão em voga.

Então, sem grandes expectativas, e depois de largos meses aqui no disco do portátil, decidi comprovar por mim mesmo se tinha razão em estar apreensivo.

E digo-vos que fiquei agradavelmente surpreendido!

Não é superior ao de Carpenter. Longe disso. Mas é uma bela homenagem e tem alguns traços do clássico e ligações a esse, que me fizeram esboçar um sorriso. Well done!

Em primeiro lugar, este The Thing, afinal, não é um remake, mas uma prequela. Aqui ficamos a saber o que raio aconteceu aos noruegueses e á sua base na antárctica.

Em segundo lugar, o filme consegue imitar, até certa altura, bastante bem o ambiente opressivo característico do filme de 1982. Digo até certa altura, pois a última meia hora é mais caça á besta que outra coisa qualquer, e aí o filme perde alguma da sua força.

Em terceiro lugar, a história, apesar de ter os mesmos condimentos que o de 82, consegue acrescentar algo mais que complementa bem a sua sequela. Os toques sci-fi, com a nave e a tentativa da criatura em fugir dali forma bem metidos. Ela aqui é mais inteligente e se isso tira algum medo primitivo por estarmos a enfrentar algo hediondo que aparentemente só pensa em matar, por outro o lado torna-a mais assustadora, pois afinal ela pensa e tem inteligência.

Agora, não é tão equilibrado como a sua sequela é. Especialmente na parte final, quando a paranóia em não sabermos quem é quem se perde. E os efeitos especiais, que aqui são em CGI, não assustam tanto nem se tornam tão repugnantes como os do filme de Carpenter. São bons, sim, mas soam demasiado a falsos. Os em animatronic são bem mais reais e credíveis, o que só atesta a sua enorme qualidade.

No meio de tantos remakes, sequelas e prequelas de clássicos, com qualidade duvidosa, este The Thing destaca-se. Não é tão profundo, nem de perto nem de longe, como o filmaço de Carpenter. Tem algumas falhas e tem algum tratamento á-lá-hollywood, mas surpreendentemente, não é demasiado burro ou vazio de conteúdo.

E nota-se que tenta prestar homenagem ao seu antecessor. Consegue-o em diversos momentos e o final, enquanto os créditos vão passando e com a música icónica utilizada por Carpenter a tocar, irá conseguir colocar um sorriso na boca dos fãs.

Fiquei surpreendido!

Poster The Thing

★★★★★★★☆☆☆

Anyone else with porcelain fillings? Or clean teeth?

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