Another Earth (2012)

Talvez a minha vida seja diferente ali...
Talvez a minha vida seja diferente ali…

It would be very hard to think “I am over there” and “Can I go meet me?” and “Is that me better than this me?” “Can I learn from the other me?” “Has the other me made the same mistakes I’ve made?” Or, “Can I sit down and have a conversation with me?” Wouldn’t that be an interesting thing? The truth is, we do that all day long every day. People don’t admit it and they don’t think about it too much, but they do. Every day, they’re talking in their own head. “What’s he doing?” “Why’d he do that?” “What did she think?” “Did I say the right thing?” In this case, there’s another you out there.

E se de repente, assim sem mais nem menos, surgisse no céu outro pálido ponto azul? Como reagiríamos?

Melhor ainda, se esse novo planeta fosse, na realidade, um reflexo do nosso! Com os mesmos continentes, países e até pessoas? Qual seria a nossa reação, se ficássemos a saber que existe alguém ”igual“ a nós?

E se tivéssemos cometido erros na nossa vida? Questionaríamos se o nosso outro eu, os teria cometido também? Será que a vida do nosso outro eu seria diferente? Melhor? Pior? Ou igual?

Para mim são questões fascinantes. Como diz na citação supra, toda a gente fala consigo própria, questionando-se se tomaram a atitude correta, ou se naquele momento especifico disseram as palavras certas. Para além disso, certamente que todos, ou quase todos, já pararam para pensar o quão diferente poderia ser a sua vida se tivessem feito uma ou outra coisa de forma diferente.

Another Earth, filme indie que passou no festival Sundance, aborda um pouco esta questões e fá-lo de forma excecional.

Os elementos de ficção-científica estão sempre presentes no filme, mas a sua essência gira em torno do drama de duas pessoas que tiveram o seu destino cruzado por uma enorme tragédia.

A atriz principal, Brit Marling (que também ajudou no argumento), interpreta Rhoda Williams, uma jovem estudante que se vê a braços com uma carreira promissora no MIT muito cedo na sua vida. Ao comemorar esse feito, Rhoda, como todos nós o faríamos estou certo, bebe uns copos a mais. Ao ir embora, no seu carro (álcool e carros, não combina muito bem), surge o tal planeta, a Terra 2, e Rhoda fascinada, ao espreitar pela janela para o ver, tem um acidente.

Desse acidente resultam 3 mortes, um coma e a prisão de Rhoda. Lá se vai a carreira promissora e a alegria típica da juventude, ficando apenas o sentimento de culpa.

Quatro anos depois, a rapariga sai da prisão. A Terra 2, entretanto, fica cada vez maior no céu. Como se o novo planeta fosse também o reflexo do tamanho da culpa que ela sente pelas vidas que ceifou.

Purdeep: Listen to me. Keep your mind clear. And that’s it. You will have peace of mind. My dear, don’t worry. Learn to adjust yourself.

Rhoda sente-se perdida, sem saber o que fazer ou como seguir a sua vida. Até que um dia descobre que alguém sobreviveu ao acidente que provocou. Decide ir ao encontro dessa pessoa e contar que ela foi a responsável. E mais não conto, pois a história é mesmo o melhor deste filme.

Para além da boa história, temos também grandes interpretações e uma ótima banda sonora. A realização faz lembrar a de Darren Aronofsky em The Wrestler. Câmara ao ombro e siga.

Claro que Aronofsky safa-se bem melhor, mas Mike Cahill consegue mostrar sem grandes problemas todo o drama inerente aos atores principais. E, apesar de ser um filme com um orçamento incrivelmente baixo, alguns enquadramento com a Terra 2 lá no alto, são bem interessantes!

Gostei bastante deste filme.

Another Earth respira Indie por todo o lado e, quando esse ”respirar“ é bem feito, é sempre gratificante experienciá-lo.

É um drama humano com toques de sci-fi que vive muito da força dos seus protagonistas e da sua história.

Uma experiência deveras interessante. Claro que não está isento de problemas e algumas coisas são, na verdade, ridículas, mas hey, é ficção! Para além disso, vamos ficando absorvidos na história de tal maneira, que facilmente esquecemos alguns pormenores.

Para muitos será uma grande seca, mas experimentem. Quem sabe, não ficarão ligados ás personagens do filme?

Destaque final para o fim, pois achei-o perfeito para o filme.

Richard Berendzen: Within our lifetimes, we’ve marveled as biologists have managed to look at ever smaller and smaller things. And astronomers have looked further and further into the dark night sky, back in time and out in space. But maybe the most mysterious of all is neither the small nor the large: it’s us, up close. Could we even recognize ourselves, and if we did, would we know ourselves? What would we say to ourselves? What would we learn from ourselves? What would we really like to see if we could stand outside ourselves and look at us?

imdb trailer

8/10

8 thoughts on “Another Earth (2012)

  1. É sem dúvida alguma um grande filme… de 2011! Totalmente de acordo com a critica e a classificação.
    É um drama motivado pela natureza sci-fi, a construir situações e a lançar questões em ambos os casos sempre pertinentes e que ficam na memória.
    É mais um dos interessantes argumentos de Brit Marling, actriz que interpreta com imensa intensidade.

    Além deste “Another Earth” recomendo que descubras o “Sound Of My Voice” (2011), outro filme que a Brit Marling co-escreveu e interpretou, com novo drama em torno de uma comunidade a viver um culto e também com alicerces sci-fi onde desta vez cria algo que poderá ser um loop temporal (viagem no tempo… ou não?)

    Aproveito ainda para deixar a minha cine-critica ao “Another Earth”:
    http://armpauloferreira.blogspot.pt/2011/12/cine-critica-another-earth-2011.html

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    1. Viva Armindo.

      Eu vi este filme por duas razões:

      A primeira foi porque gostei do que escreveste no Ecos Imprevistos e, desde essa crítica, que tinha o filme em lista de espera. Aliás, deveria tê-lo referido na crítica e colocado um link para a tua crítica. Peço desculpa por não o ter feito.

      A segunda, e que me deu aquele impulso definitivo, foi depois de ter visto o filme que referes Sound of My Voice, e ter gostado bastante da atriz.

      Por pena minha não consegui escrever nada acerca do Sound of My Voice (e vi-o há mais de 1 mês), mas vou tentar revê-lo na “diagonal”, a ver se digo alguma coisa sobre o dito cujo.

      Abraço.

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      1. Obrigado, Ricardo! Não sabia que a review tinha sido assim tão espicaçadora.
        Óptimo então. Adorei os dois filmes e as interpretações da actriz, e sente-se nos seus argumentos a sua forma de questionar a existência humana.
        Queremos mais filmes assim com a mão e presença dela (mas suspeito que vai ser cada vez mais difícil pois Hollywood já a apanhou… ainda há dias atrás vi o interessante “Arbitrage” onde ela tem um papelzinho).
        Cumprimentos!

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      1. Já o tenho no PC. Agora, é arranjar um tempinho para tal…
        Ontem peguei nos primeiros 2 episódios de Fringe (da T4), estou demasiado atrasado… e, como tal, vou ver se faço uma maratona nos próximos tempos. 😀

        Depois venho cá comentar e faço um review no meu blogue.

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