To the Moon (RPG Make XP)

Apesar de não jogar regularmente como o antes fazia, ainda vejo os videojogos como uma arte. Claro que nem todos o são, mas alguns, e tenham eles gráficos ultra-realistas ou ultra-pixelizados, conseguem emocionar e entreter da mesma maneira que um bom filme, uma boa música ou um bom livro o fazem.

Sou um grande fã de jogos Indie e jogos feitos apenas por hobby. Já aqui falei do RPG Maker, uma ferramenta que me proporcionou imensas horas de lazer, tanto a jogar como a fazer jogar, e de uma comunidade que, sem apoios, por vezes conseguem criar histórias que nos deixam espantados.

To The Moon é um desses jogos. Um jogo, que até nem é bem um jogo, admirável, especialmente, pela sua história tocante.

Quando digo que até nem é bem um jogo, quero dizer que, na sua essência, é uma história interativa em que vamos mexendo os personagens do ponto A para o ponto B e resolvendo uns pequenos e simples puzzles. Na verdade, passamos mais tempo a ler e a pressionar o botão de acção para ler o próximo bloco de texto, do que outra coisa qualquer.

Mas nem por isso, To The Moon se torna enfadonho. A sua história, incrivelmente “humana”, consegue cativar, e á medida que vamos avançando, vamos ficando cada vez mais ligados ás personagens, tentando descobrir um pedacinho mais da história de vida deles.

Muito em suma, To The Moon, conta a história de dois cientistas que trabalham para uma agência especialista em tornar os sonhos de pessoas moribundas em realidade. Aqui, vamos seguir John, que antes de entrar em coma, contrata a tal empresa, que descobre que o seu sonho é ir á lua.

Para que isso se torne realidade, os dois cientistas “entram” na cabeça de John, tentando descobrir, através das suas memórias e experiências de vida, o porquê dele querer ir á lua, e a melhor forma de o fazer.

O problema é que nem John sabe porque razão deseja tanto ir á lua!

Mas, á medida que vamos acompanhando os cientistas a interagir com as memórias de John, vamos percebendo esse desejo. E a principal razão desse desejo, que é, simplesmente, o que todos nós procuramos.

E ficamos emocionados.

Eu não consigo bem explicar, mas To The Moon faz pensar, e de que maneira. Ao acompanhar as memórias de John, dei por mim a pensar e a reviver as minhas também. Existem momentos que nos marcam para sempre, alguns pelas piores razões, mas no final de uma vida, o que fica, sempre, é o amor. Mesmo nas condições mais adversas, mesmo que… nos esqueçamos… por momentos, a razão e onde começou esse amor.

E ficamos emocionados.

A história é mesmo o melhor do jogo e, por isso mesmo, merece ser vivida por vós, sem grandes spoilers.

Ao mesmo nível da história está a banda sonora. Quase sem nos apercebermos as melodias utilizadas vão ficando “gravadas” em nós, e quando concluirmos o jogo ficam lá, naquele cantinho do cérebro, para que quando as ouvirmos de novo nos recordemos desta história tão tocante.

Kan Gao, autor do excelente Quintessence -The Blighted Venom, que falei aqui, tem imenso talento na escrita e composição musical. Se calhar é esquisito dizer que não gostaria de o ver num estúdio de grandes dimensões. Não que não tenha mérito para isso, mas porque acho que a fazer jogos indies é que Kan Gao conseguirá mostrar toda a sua arte e talento. Sem pressões ou objetivos a alcançar. Apenas mostrar e contar belíssimas histórias.

To The Moon, através de gráficos simples, tem mais coração que grande parte dos videojogos “ultra-realistas” que teimam em estar nas preferências da maioria dos jogadores.

A conjugação entre esses gráficos simples, uma história, ao mesmo tempo trágica mas enriquecedora e cheia de nuances que nos faz pensar no que realmente é importante nesta vida, e a música tão… pacífica, foi feita de forma extraordinária.

Extraordinária, como a viagem pelas memória de John até… á lua.

To The Moon faz aquilo que muitos poucos jogos fazem por nós. Emociona verdadeiramente. Uma pequena obra de arte (que não sendo perfeita), certamente que deixará uma memória boa na mente de quem a experimentar.

Kudos para Kan Gao!

Autor: Ricardo JM Vieira

Tenho a mania das artes e acho que o sentido de humor é das melhores coisas inventadas pela humanidade. Eu, pelo menos, gostava de ter.

1 thought on “To the Moon (RPG Make XP)”

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