Prometheus (2012)

Referi algumas vezes aqui que Prometheus iria ser um dos grandes filmes do ano. Tinha tantas expetativas que, se calhar, fiquei toldado. Agora que o vi, posso dizer que Prometheus podia ter sido “O” filme do ano, mas, como apostou em ser um blockbuster de «fácil entendimento» repleto de facilitismos, acabou por ficar no mesmo patamar que outros tantos filmes de ficção científica.

Não estou a dizer que o filme é fraco, porque não é. Tem um história interessante (que podia ser bem melhor) e visuais fabulosos, mas não consigo ficar indiferente a algumas incongruências e, principalmente, ás personagens que são, inúmeras vezes, burrinhas. E o fato de deixar o final em aberto para uma sequela, irritou-me um bocado.

Prometheus é a história de um grupo de exploradores que partem em busca de respostas para a origem da espécie humana nos confins do Universo. O pior é que essa busca acaba por revelar-se muito perigosa, pois parece que quem nos criou também nos quer destruir…

O início do filme é bastante interessante e misterioso. A coisa promete, mas depois começa a descarrilar. Começam a surgir demasiados erros e incongruências que não se percebem, principalmente vindos de um filme que tem Ridley Scott ao leme!

A tripulação é amadora, irresponsável e irracional demasiadas vezes. Ali estão eles, contactando sinais de vida inteligente pela primeira vez, e nenhum demonstra grande entusiasmo e admiração. Pior! Reagem da pior forma e são totalmente irresponsáveis, nomeadamente, quando abrem portas sem saber o que podem encontrar, ou quando tiram capacetes confiando na leitura de um aparelho eletrónico…

Alguns entram em pânico sem razão aparente, e depois quando o deveriam fazer, ficam calmos. Estou a falar do encontro com o extra-terrestre em forma de serpente. Sim, claro, eu, se visse um extra-terrestre em forma de serpente a sair de um líquido viscoso negro, também me aproximava para fazer festinhas.

Os extra-terrestres gigantes também sofrem de burrice. Eles gostam de gravar, aparentemente tudo o que fazem, em hologramas. Até a maneira de contornar sistemas de segurança e tudo. E o mais engraçado é que esses hologramas de eventos passados conseguem interagir com o material físico. Espetacular!

Até os cientistas, os verdadeiros cientistas da missão, sofrem de paragens cerebrais. Então encontram a cabeça de um extra-terrestre e um dos cientistas repara que existem umas pequenas borbulhas negras, e 2 segundos depois conclui que são células estranhas! Óbvio, pois então. Como se alguém já tivesse visto a cabeça de um extra-terrestre e soubesse separar as células dele de outras estranhas. Mas o mais estúpido é que decide estimular as células estranhas sem qualquer tipo de proteção! Meu Deus! Não se isola? Isso são procedimentos básicos!

Mas chega de bater no ceguinho. E poderia referir mais pormenores que não gostei nada.

Visualmente, o filme está fantástico. Tanto nos efeitos-especiais, como na cenografia. O elenco cumpre com o que o argumento quis deles. Mas o destaque vai para Michael Fassbender!

Para terminar, resta-me deixar aqui registada a minha fúria, por ter chegado ao fim e não ter tido resposta a nenhuma das perguntas levantadas pelo filme. Como disse uma das personagens: «There”s Nothing!».

Prometheus, que no início seria uma prequela de Alien – e acreditem que também o é – , podia ter sido tão mais do que é. Tivessem optado por uma abordagem mais séria e coerente, e seria um clássico instantâneo. Não tenho dúvidas nenhumas.

Mas enfim. Assim ficamos com um blockbuster de fácil entendimento, que disfarça as incongruências com um visual estupendo e um Fassbender fantástico.

CITANDO:

Charlie Holloway: What we hoped to achieve was to meet our makers, to get answers why they made us in the first place.
David: Why do you think your people made me?
Charlie Holloway: We made ya ‘cause we could.
David: Can you imagine how disappointing it would be for you to hear the same thing from your creator?

imdb trailer

6/10

10 thoughts on “Prometheus (2012)

  1. Ainda não vi e detesto ler spoilers, mas este quis ler. Bem, pelo que li, falharam. Não adianta bater no ceguinho, mas é de ficar triste principalmente pelo dinheiro que devem ter gasto só em publicidade e efeitos especiais.

    Em todo o caso sobre os facilitismos, isto é para americano ver 😛 Agora a falar a sério, isto é para ser visto pelas massas e para que essas grandes massas queiram ver o próximo filme. Eu detesto quando isso acontece por dois motivos: existe o tal facilitismo e depois não contam nada para ver o próximo. Detesto mesmo. Mas pronto isto é o que dá dinheiro atualmente.

    Aliás, só para terminar com uma analogia, isto faz lembrar os produtos atuais que são todos descartáveis a curto prazo. Infelizmente o capitalismo trouxe-nos este modernismo estúpido. Dantes há uma ou duas décadas tudo durava uma vida, agora talvez nem um décimo do tempo demora. Eletrodomésticos e apesar de não tão bons duravam um tempo enorme, agora não. Mas o mais claro são nas coisas baratas, por exemplo em bacias que agora duram pouquíssimo tempo e as velhas ainda perduram. É triste o capitalismo. Tão triste que no cinema faz com que os clássicos não apareçam nos tempos de hoje.

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    1. Concordo plenamente Cláudio. Ainda existem marcas que se destacam, mas mesmo essas começam a preferir fazer produtos a torto e a direito com cada vez menos qualidade.

      E isso da durabilidade está tão enraizada na sociedade, que parece que o normal é as coisas durarem 1 ou 2 anos. A maioria das pessoas nem mandam produtos para a garantia.

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  2. Quanto mais o tempo passa mais desiludido fico… quer dizer já nem é desilusão… já não tenho qualquer interesse por aquele universo (não falo do universo Alien, mas o de Promotheus). Foi uma pena =/

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