Este filme, que vi quando estreou no cinema, traz algumas memórias curiosas. Entre memórias da campanha de marketing engraçada, onde a frase “This sumer everybody runs” aparecia por todo o lado, até terminar no regresso a casa bastante tumultuoso (aham, em que eu e e os amigos com que fui ao cinema, fomos ameaçados de forma bem assustadora, ás 2 da manhã, num local inóspito.)

Mas experiências dramáticas á parte, Minority Report impressionou-me bastante na altura de estreia. Não fosse ter acontecido o que aconteceu, quando regressava a casa – pois a partir daí o meu cérebro quase que enterrou o filme nos confins do meu subconsciente – e penso que poderia ter tido boas discussões com os meus amigos acerca dele, e me ter dado conta que, havia tido a oportunidade de assistir a um excelente produto de entretenimento.

Minory Report é um filme baseado num conto da autoria de Philip K. Dick→ (olá Blade Runner→, Total Recall→, Next→ ou Adjustment Bureau), estrelado por Tom Cruise e filmado pelo mestre Steven Spielberg.

Ótimos “ingredientes” que prometiam resultar numa receita muito saborosa. Apesar de ter tido no final algum exagero em condimentos menos bons, foi uma boa refeição.

A ação do filme passa-se no futuro, mais propriamente no ano 2054, onde a criminalidade violenta foi erradicada do estado de Washington. Isso graças á ação de três seres excecionais que conseguem prever quando esses crimes vão ocorrer, chamados de precogs.

Isto quer dizer que, na prática, os crimes continuam a existir, só que graças aos precogs, a polícia consegue intervir a tempo e antecipar ou impedir o que os criminosos vão fazer.

Claro que isso levanta questões morais, pois bem lá no fundo, as pessoas são presas por crimes que “ainda” não cometeram. Mas o precrime, que é como se chama o projeto, é um sucesso e o chefe John Anderton acredita piamente que é um sistema sem falhas.

Numa altura em que o projeto se prepara para cobrir todo o país, é enviado um agente do FBI para confirmar se realmente não existem falhas. Para piorar tudo, os precogs preconizam que o chefe John Anderton irá cometer um homicídio dentro de 36 horas.

Como irá reagir o homem que confiam plenamente no sistema? This summer, everybody runs!

A história é assaz interessante e lida muito bem com questões morais. Afinal o futuro está mesmo pré-determinado ou somos nós que o fazemos? Em relação a isto, eu tenho um opinião muito clara e, se calhar até seria interessante escrevê-la aqui num artigo, mas posso adiantar que acredito nisto: o futuro está determinado, mas é indeterminável.

Para além de uma boa história, tem o “dedinho” mágico de Spielberg (que estreia este filme um ano após Artifficial Intelligence: AI→, e um ano depois Cach me if You Can. Uma altura sensacional, portanto para o mestre.).

Spielberg conseguiu fazer um blockbuster que não insulta a audiência, ou seja, fez entretenimento – com algumas sequências bem espetaculares – e lembrou a todos que é por estes filmes que vale a pena pagar bilhete se quisermos descontrair, mas sem nos tornarmos mais burros ou surdos por causa do barulho das explosões. Aqui não existe a maldita mania da montagem ultra-rápida em que não se percebe nada do que está a acontecer, nem os efeitos especiais são utilizados apenas para show-off.

Os efeitos especiais, ainda espetaculares, integram-se perfeitamente no espírito do filme e funcionam como suporte credível de um hipotético futuro. Um outro destaque para a palete de cores utilizada. Não me sei explicar bem, até porque sofro de daltonismo, mas parece que estamos a assistir a um futuro frio e metálico.

Tom Cruise traz todo o carisma e emoção que a história precisa, para cativar quem está a ver. Sempre disse e continuo a dizê-lo: para mim o Tom Cruise é um dos melhores atores da sua geração e demonstra-o aqui. Não é exuberante e, digamos, merecedor de um Óscar, mas acho que encarnou na perfeição a personagem que lhe foi dada.

Quase que me esquecia de referir que a banda sonora é da autoria de John Williams. Portanto, muito boa.

Agora, existem alguns pormenores que não gostei muito. Especialmente facilitismos e pequenas contradições na história. No entanto, não estragam (ou estragam pouco) a grande experiência que é assistir a esta fita.

Minority Report, para mim, é um dos grandes filmes de ficção-científica da década passada, e uma genial amostra como os blockbusters deveriam ser.

fonte das imagens: cinemasquid

imdb trailer

9/10

7 thoughts on “Minority report (2002)

  1. Um grande filme sem dúvida! Impecável uso dos efeitos visuais mas desta vez ao serviço da história que se conta. Uma belissima obra de Spielberg. Este e o “A.I.”… que dupla!

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