O novo filme do Fernando Fragata (Sorte Nula, Pulsação Zero), prometia ser o primeiro filme português com cheirinho de grande produção americana. Filmado em Hollywood e com atores internacionais, apesar de serem desconhecidos, Contraluz parecia vir a lançar nova luz, uma luz importante, na promoção do cinema português.

O trailer impressionou-me, devo dizer. E todo o burburinho que se gerou a seguir, com a ajuda do realizador (que não se cansou de promover o filme, especialmente através do Facebook) e de várias figuras públicas, conseguiu cativar muitos portugueses e o filme acabou por ter uma boa receção nos cinema portugueses.

Contraluz é uma espécie de Crash, com muita fantasia e coincidências á mistura. Temos, portanto, várias personagens que vão ter certos momentos da sua vida interligados. As personagens, todas elas, passam por um momento de solidão e dúvida na sua vida e, esse cruzamento entre elas, irá mudar para sempre o seu destino.

Histórias deste tipo são sempre potencialmente interessantes. Só que é preciso ter cuidado na maneira como se conta a história e na maneira como se apresentam as personagens. E isso não aconteceu aqui.

Não são poucas vezes que o argumento roça o absurdo e o surreal. Isso faz com que quem esteja a ver se sinta desconectado da história, pois alguns acontecimentos são tão irreais que nunca poderiam acontecer na vida real.

Se este tipo de coincidências e artefactos utilizados para contar a história fossem utilizados de forma moderada, aí talvez tudo fluísse de forma mais natural. Mas não! O conceito é abusado, e assim é exigida muita fé por parte de quem esteja a ver. E nem todos têm essa fê…

Alguns diálogos são extremamente ridículos e, lá está, absurdos. Poucos falariam como estas personagens.

Pior que isso, é a atuação muito exagerada de alguns atores, especialmente de Michelle Mania. Compreende-se algum amadorismo numa ou noutra cena, mas Michelle usa e abusa do over-acting. E isso torna-a extremamente irritante. O destaque vai, claramente para Skyler Day, que tem a melhor interpretação.

Tenho também que referir que a escolha em utilizar o Inglês como língua, foi bastante infeliz. A mistura de pronúncias e a má dicção, torna tudo numa salgalhada. Lá está, faz com quem esteja a ver se sinta desconectado.

A banda sonora é bastante interessante, mas muito mal utilizada. E a realização de Fragata é, no mínimo, inconstante. O abuso de panorâmicas e do slow-motion só estraga a experiência. Tirando isso, Fragata consegue transmitir muito bem a solidão das personagens através de belíssimos cenários desérticos.

Apesar de praticamente só ter falado mal do filme, confesso que tirei algum prazer da sua visualização. Comparativamente á maioria das produções portuguesas, Contraluz evidencia algum arrojo e diferenciação.

Mas tenta ser algo que não consegue. No geral, não cumpriu com aquilo que me prometeu. E isso deve-se, especialmente, ao argumento, pois ele exige muita “fé” por parte de quem estiver a ver.

6/10

.imdb .trailer

fonte da imagem: ecos emprevistos

2 thoughts on “Contraluz (2010)

  1. Olá Ricardo,

    Quando vi o trailer também fiquei com um burburinho a dizer-me para o ver. Entretanto, pela indisponibilidade acabei por nunca mais o ver, no entanto, sempre o tive em mente por causa daquele trailer que tanto me cativou.

    No entanto, por tudo o que li, já fiquei, desde já desiludido. Mas, digo “desde já” pois o trailer cativou-me o suficiente para querer ver na mesma, mas visto que dizes o que disseste, então nesse caso a prioridade para o ver desce drasticamente! Sobre a língua escolhida, podia ser a que quisessem e acho normal o inglês para captar mais público, mas uma coisa não podem falhar então: falar mal. Se o fizerem então perde logo toda a credibilidade!

    Sobre ser impossível, bem, isso é naquela, desde que tudo o resto seja bom. Basta ver para grandes filmes como Matrix, The Dark Knight, entre outros que o impossível é normal do filme, no entanto, como é bom, nós gostamos.

    Abraço

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    1. Sobre o ser impossível, por mim está tudo bem, desde que tenha coerência com a mitologia do filme. No Contraluz, acho que abusaram um bocado e quem está a ver fica desconectado das personagens e do que se está a passar. Nunca se estabelece uma verdadeira relação entre nós e o filme.

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