Superman Returns (2006)

O regresso do Super-Homem ao cinema pela mão de Bryan SInger, fã assumido do original de 1978 estrelado pelo malogrado Christopher Reeve, não teve o sucesso esperado. Tanto que Man of Steel,  um “renascimento” do mito, supostamente do mesmo estilo que Christopher Nolan fez com Batman, já está em rodagem.

Foi dito, inclusive, pelo pessoal da Warner Bros. que este Superman Returns ficaria na história do cinema, como o Hulk de Ang Lee. Claro que Singer não deve ter gostado nada, uma vez que o final de Superman Returns sugeria uma sequela e um rumo bem  inesperado para o franchise.

A história deste filme, muito resumidamente, é a seguinte: Depois de uma visita ao seu planeta de origem, Krypton, Kal-El regressa á Terra. Cinco anos passaram e as coisas estão bastante diferentes, principalmente com Lois Lane, pois a jovem está casada e tem um filho.

Como se não bastasse isso para entristecer o Super-Homem, ele descobre que Lois ganhou o prémio Pulitzer por ter escrito o artigo “Porque razão o mundo não precisa do Super-Homem”.

Mas, será que o mundo não precisa mesmo do Super-Homem?

Superman Returns, apesar de ter sido anunciado como tal não é, verdadeiramente, um blockbuster de verão. Tem um cheirinho de blockbuster, mas é bem mais profundo que a maioria dos filmes desmiolados, típicos da silly-season.

Existem sequências de ação e a primeira, a que serve para apresentar ao mundo o regresso do Super-Homem é especialmente espetacular. Á medida que o filme vai avançado, torna-se cada vez mais evidente que o que é valorizado no filme são as personagens, especialmente Kal-El e Lois Lane, e não momentos mais “barulhentos” ou “intensos”, repletos de explosões.

Nesse aspeto, estamos na presença de um filme bastante introspetivo. E isso vê-se logo desde muito cedo, quando assistimos ao Super-Homem a recordar a sua infância e o momento em que descobre que consegue voar.

O elenco foi bem escolhido, com grande destaque para Brandon Routh e Kevin Spacey. Routh, que interpreta Kal-El, consegue trazer o herói para a modernidade, 20 e picos anos após a última interpretação de Christopher Reeve. Não são só as parecenças físicas com Reeve, mas a forma como consegue distanciar Kal-El do seu alter-ego Clark Kent, ou a forma como consegue demonstrar tranquilidade, paz e, diversas vezes as dúvidas que assaltam o seu coração. Excelente interpretação!

Kevin Spacey faz de Lex Luthor, o tipo asqueroso do filme. Apesar de ter menos espaço na história e de só demonstrar o quão implacável é este vilão na reta final, Spacey não desilude. Aliás, dele só se espera o melhor.

Kudos para a inclusão de marlon Brando, como pai de Kal-El. As frases ditas por ele são de uma grande sapiência e ajudam o nosso herói durante a sua jornada. No final, elas tornam-se bem mais intensas e graças a elas e á revelação de uma pequena personagem que surge na vida de Kal-El elevam o momento, tornando-o bastante comovente.

Singer realiza com enorme mestria o filme. Alguns momentos são espetaculares, outros fazem homenagem ao original de uma forma muito boa. Uma das críticas é mesmo essa, de Singer ter-se colado demasiado ao original. Apesar de não o ter visto, sei que, por exemplo, existe uma cena muito parecida que envolve Kal-El e Lois Lane num voo pelos céus noturnos.

Até pode ser parecida e tudo mais, mas é belíssima e termina da melhor forma, pois o nosso herói explica porque razão ajuda a humanidade, deixando Lois Lane a pensar se realmente terá sido justa com ele quando olha para baixo.

Gostei bastante do que Singer fez aqui. Claro que o orçamento elevado ajudou a termos sequências visualmente fantásticas, como a inicial, mas nem todos os realizadores se lembrariam de , no meio de uma sequência trágica como é a da queda do avião, parar a ação com um momento de beleza. Falo do momento que os ocupantes ficam sem gravidade.

São pormenores como este, e existem mais (outro que me lembrei agora, é quando Kal-El vai restabelecer as suas energias ao Sol, ou ainda outro que é a sua queda final) que dão um outro nível a este filme.

Falta-me destacar a banda sonora da autoria de John Ottman, fã de John Williams, o compositor do original de 1978. Contém o tema clássico (maravilhosamente introduzido nos créditos iniciais), mas as restantes composições são bastante boas. Nada como ouvir um coro de vozes no momento em que Kal-El atravessa a asa de um avião em queda! Épico!

Superman Returns é um filme de fãs do original e, talvez por isso, tenha demasiadas parecenças com ele. É pelo menos, uma das críticas que circula pela Internet. Não é a minha opinião, sinceramente.

O filme surpreendeu-me, pois pensava eu que seria algo teen ou mais brainless. Sem contar com o facto de nunca ter sido grande fã desta personagem. Recomendo-o vivamente.

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8/10

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