The Prestige (2006)

A magia é uma arte que, certamente, fascinará toda a gente. Há quem não desfrute inteiramente dos truques, pois estará mais atento ás movimentações dos mágicos na tentativa de descobrir os seus segredos mas, para os restantes, a sensação de maravilha perante “coisas impossíveis” é sempre incrível.

…The audience knows the truth: the world is simple. It’s miserable, solid all the way through. But if you could fool them, even for a second, then you can make them wonder, and then you… then you got to see something really special…

Em 2006 Neil Burger e Christopher Nolan, criaram 2 filmes dedicados a este mundo do ilusionismo e das manipulações. Neil com The Illusionist, um filme que gostei e que conta com o excelente Edward Norton, e Nolan (esse grande mago, que faz magia com o cinema), com The Prestige.

The Prestige é a história de 2 mágicos, Robert Angier e Alfred Borden, que, de uma amizade inicial, passam a ser 2 grandes rivais. A causa da rivalidade advém, maioritariamente, da morte da mulher de Angier, pois Angier culpa Borden desse facto. A rivalidade, rapidamente passa a obsessão por parte de Angier, pois ele testemunha o “melhor truque de magia que alguma vez viu”, interpretado por Borden. Angier tem que ser melhor e tenta por todos os meios descobrir o segredo do truque “O Homem Transportado”, executado pelo rival.

Este filme, que saiu um ano após Nolan ter iniciado a reformulada saga Batman, é magistral na forma como engana e manipula quem está a ver. É como se o realizador estivesse a executar o seu próprio truque, que obedece ás 3 regras que são explicadas no filme e que citarei no fim da crítica.

Are you watching closely?

O seu desenvolvimento é algo semelhante a outro filme do mesmo realizador, o fabuloso Memento. Falo da maneira como a linha temporal é alterada, com avanços e recuos. Apesar de tudo, The Prestige é bem mais fácil de acompanhar, mas quem estiver atento, irá disfrutar mais da experiência que aquele que está a ver sem estar realmente com atenção.

Tem magia, mas também tem muita tragédia humana. Aliás, o filme é um grande ensaio sobre a natureza humana, em particular acerca da obsessão, da vingança e do sacrifício.

No, simple might be, but not easy. There’s nothing easy about two men sharing one life. We each had half of a full life, which was enough for us. See, sacrifice, Robert. That’s the price of a good trick.

Sim, a história é fantástica e onde poderá falhar, não para todos mas para alguns, é no final. Pessoalmente, não me faz muita confusão a conclusão que Angier teve no filme, mas compreendo perfeitamente que não agrade a toda a gente.

Para além da realização e do argumento exemplares, temos um elenco de luxo, com interpretações de topo. Christian Bale e Hugh Jackman estáo irrepreensíveis e depois a ajudar á festa, temos Michale Caine, Scarlet Johansson, David Bowie e Andy Serkis (o famoso Gollum).

Nolan arrisca-se a criar uma carreira verdadeiramente fabulosa, repleta de grandes filmes. The Prestige é mais um a somar a, e vou referir aqueles que já falei aqui no tasco, Memento, The Dark Knight, Insomnia e Inception. Excelente! Agora, como prometi, vou citar os 3 passos de um truque de magia:

Every great magic trick consists of three parts or acts. The first part is called “The Pledge”. The magician shows you something ordinary: a deck of cards, a bird or a man. He shows you this object. Perhaps he asks you to inspect it to see if it is indeed real, unaltered, normal. But of course… it probably isn’t. The second act is called “The Turn”. The magician takes the ordinary something and makes it do something extraordinary. Now you’re looking for the secret… but you won’t find it, because of course you’re not really looking. You don’t really want to know. You want to be fooled. But you wouldn’t clap yet. Because making something disappear isn’t enough; you have to bring it back. That’s why every magic trick has a third act, the hardest part, the part we call “The Prestige”.

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9/10

6 Comments

  1. Estavas inspirado com esta review!
    Concordo, claro. Fiquei surpreso com a votação de 9/10… (tenho atribuido 8/10) mas até tendo a compreender, porque o filmes é deslumbrante verdadeiramente, pleno de lógica, surpreende e tem um daqueles twists finais que não se conta com ele sequer.

    Inevitávelmente, temos sempre de falar deste filme e invocar o outro, o Ilusionista (que acho inferior). Na altura, que ainda dava os primeiros passos no meu blogue (há 4 anos), salvo erro, a primeira review que publiquei sobre filmes no Ecos Imprevistos, foi precisamente a este filme (e no dia seguinte ao outro).
    http://armpauloferreira.blogspot.com/2007/07/cinema-em-casa-1-parte-o-terceiro-passo.html

    Gostar

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