Adaptar a banda desenhada não seria tarefa fácil. A violência presente e os temas adultos abordados, provavelmente, teriam que ser “suavizados”. Se assim fosse, o mais certo era termos um produto muito diferente e, eventualmente, desapontante.

Mas a AMC tomou a iniciativa e anunciou em Janeiro de 2010 a série. O que gerou imenso burburinho na comunidade, foi o envolvimento de Frank Darabont como produtor, realizador e argumentista. Para quem não conhece Darabont, será suficiente dizer que o realizador nascido num campo de refugiados, foi o responsável pelos notáveis The Shawshank Redemption, The Green Mile, The Mist, The Majestic, entre outros. Pela envolvência de um nome tão reconhecido e pelo material de origem tão rico, a AMC depositou enorme confiança no sucesso da série.

Days Gone Bye, o episódio de estreia – que tem o mesmo nome do volume 1 em trade paperback da banda desenhada – , saiu no dia 31 de Outubro de 2010, e teve uma recepção muito positiva, tanto por parte do público, como por parte da crítica.

E a verdade é que a série começou da melhor forma! Days Gone Bye foi, facilmente, um dos melhores episódios de qualquer série exibida em 2010. Quando chegamos ao fim dos 66 minutos, ao som de Space Junk de Wang Chung, toda as dúvidas acerca da eventual qualidade que a série poderia ter dissipam-se. E eu, como fã da banda desenhada, de cenários apocalípticos, de zombies, de gore e de Darabont, só posso esboçar um sorriso de alegria.

É um verdadeiro regalo assistir á realização. A banda sonora, da autoria de Bear McCreary, é outro dos trunfos. A ausência dela, também! Todo o silêncio que abunda, característico de um mundo que já não é o mesmo, de um mundo sem a cacofonia das multidões, é brilhantemente utilizado.

Para além disso, podem contar com uma das melhores caracterizações de zombies de que há memória. E violência! Ela não abunda, é um facto, mas quando surge é pura e dura.

O elenco também me satisfez plenamente. Andrew Lincoln que faz de Rick Grimes, consegue fazer passar e transparecer emoções facilmente, sem cair no facilitismo. Tem o carisma para carregar as esperanças, anseios e medos do grupo com que caminha através de uma América desolada. O restante elenco satisfaz plenamente. Gostei especialmente dos 2 irmãos Dixon e de Lennie James (que ainda só apareceu no primeiro episódio).

A série não segue os acontecimentos da banda desenhada a 100%, apesar de ter algumas cenas iguaizinhas. É um pormenor interessante, uma vez que consegue manter quem conhece a banda desenhada, interessado, sem saber realmente o que irá acontecer. E para quem a lê, sabe que é bastante imprevisível. Na verdade, só 2 ou 3 personagens principais, conseguem estar seguras, pois os restantes podem desaparecer a qualquer momento.

Á semelhança do seu material de origem, o que interessa verdadeiramente são as pessoas e os seus relacionamentos perante um cenário de terror mundial. Os zombies estão lá, rastejando pelos cantos, esperando pela sua oportunidade. São genéricos, na medida em que são lentos, burros e só morrem quando o seu cérebro e destruído.

Aliás, e isso é mostrado de forma exemplar num punhado de cenas (especialmente a da miúda sem pernas no primeiro episódio), para além do terror que os monstros provocam, eles dão pena. Eles foram, outrora, pessoas normais. Agem segundo um instinto primário que contraíram sem saberem porquê. Uma faceta brilhantemente explorada!

Apesar de tudo, a série não agradará a todos, muito por culpa do ritmo bastante lento. É um facto que o ritmo não prima pela acção, mas é extremamente bem cuidado. E tem que ser assim, para  se poder criar um ambiente credível, tenso e realista, para depois tudo terminar em algumas das cenas mais emocionantes do panorama televisivo.

The Walking Dead foi, portanto, uma das melhores séries exibidas no ano passado. Pena ter sido tão curta. Esperemos para ver como será a segunda temporada, que promete ser ainda melhor. Entre outras novidades, parece que teremos mais nomes reconhecidos envolvidos. Darabont falou com Stepehn King himself para escrever um episódio e com Edgar Wright (Shaun of the Dead, Scott Pilgrim vs. the World), para realizar outro…

imdb trailer

4 thoughts on “The Walking Dead (série)

  1. Ricardo, apesar de não conhecer a banda desenhada, vi a série, porque também gosto de fitas apocalípticas, e não me desolou rigorosamente nada!

    A minha opinião é praticamente a mesma que a tua e, infelizmente, devido à qualidade ficamos todos tristes com o reduzido leque de episódios. Uns dizem porque não sabiam se ia gerar lucros, outros porque a banda desenhada apenas tem 70episódios (ou seja lá o nome que se dá a isso 😀 ).

    Na minha opinião, provavelmente foi mais por terem medo de não dar lucro, pois eles fizeram uma série bastante complicada de gerar (zombies e ambientes caros de produzir) e que não existia qualquer semelhante que pudessem saber se ia ser apelativa pelo público.

    Mas verdade seja dita, volta e meia vê-se wallpapers da série, o que é perfeitamente indicativo de que ela deve ser fortemente investida!

    Abraço e parabéns pelo artigo! 😉

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