existenZ (1999)

Hey, tell me the truth… are we still in the game?

eXistenZ de David Cronemberg

eXistenZ (segundo o filme, é mesmo assim que se escreve), mistura ficção com realidade e ainda, a veia típica de “gajo esquisito” que o Cronemberg tem. eXistenZ passa-se num futuro próximo em que os videojogos tornaram-se perigosamente parte intrínseca da sociedade. Nesse futuro, as próprias pessoas servem de entrada, com a ajuda de uma bio-porta localizada no fundo das costas, a um sistema que é capaz de simular um mundo inteiro nas suas mentes.Aleggra é uma criadora popular que promete revolucionar a sociedade com o seu último jogo, mas numa demonstração é alvo de uma tentativa de assassinato e torna-se fugitiva, sendo ajudada por Ted Pikul.

Cronemberg, que escreveu, produziu e realizou este filme, assina uma crítica assaz mordaz a grande parte da sociedade. Á parte que procura emoções mais fortes através da realidade virtual, fugindo ao mundo real. Como diz Allegra a certa altura: 

You’re stuck now, aren’t ya? You want to go back to the Chinese restaurant because there’s nothing happening here. We’re safe. It’s boring.

A verdade é que de facto a nossa vida é, por ventura demasiadas vezes,  uma seca. Todos os dias parecem iguais e a rotina instala-se. eXistenZ, promete acabar com a rotina e tornar a vida em algo mais imprevisivel. No entanto, as pessoas tornam-se em personagens de videojogos, com comportamentos artificiais e deslocados. Á medida que vão ficando mais viciadas, vão ficando limitadas á estrutura e arquitectura do jogo.

Estamos a falar de um problema que existe e que, provavelmente, irá aumentar nos anos vindouros. Muitos já sentem dificuldade em distinguir a realidade do virtual e estão de tal maneira apegados, que a vida real lhe parece aborrecida e sem sentido. A meio do filme, Allegra e Ted param em frente a uma estância de esqui e surge o seguinte diálogo:

What happens if someone comes up here and really wants to ski?

Come on Pikul. No one actually physically “skis” anymore, you know that.

O filme tem, então, um argumento bastante interessante, não só pelo que já escrevi,  mas também pelos twists e pela constante confusão que se vai instalando na mente de que está a assistir. Jude Law e Jennifer Leigh estão bastante bem nos seus papéis e os secundários – onde se destacam Wlliam Dafoe, Ian Holm e Don McKellar – aumentam a qualidade geral do filme.

Uma proposta  interessante vinda de Cronemberg.

imdb trailer

7/10

3 thoughts on “existenZ (1999)

  1. É um filme bom e pertinente, feito na recta final dos anos 90 (antes de Matrix).
    A hiper-realidade dentro de outra… foi imediatamente do filme que me ocorreu (juntamente com o valente “Total Recall”) quando vi o Inception (que é muito bom também)

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