Millennium 1 – Os Homens que Odeiam as Mulheres foi a minha primeira experiência com o cinema sueco, e devo dizer que nada má. O filme é um thriller com um ritmo bastante lento, mas que se foca bastante no desenvolvimento das suas personagens.

Mas antes de continuar este meu comentário ao filme, passo a resumi-lo.

Mikael Blomkvist é um jornalista que vive denunciando escândalos de corrupção no mundo dos grandes empresários. Obviamente que isso não lhe traz muitos amigos e chega a um ponto em que ele também se vê em tribunal. O tribunal declara-o culpado e Blomkvist vê-se obrigado a cumprir pena em prisão dali a 6 meses.

Antes disso, recebe uma proposta de mais um empresário de alto gabarito, Henrik Vanger, para investigar o desaparecimento de uma pessoa que lhe é muito querida. Harriet, sobrinha de Henrik está desaparecida há 36 anos e nunca foi encontrada. Mikael aceita investigar o desaparecimento e vai-se embrenhando num cada vez mais obscuro mundo da família Vanger.

Mais para a frente vai ser ajudado por Lisbeth, uma hacker com problemas em se socializar e com um passado negro. A dupla á medida que se vai aproximando da resolução do caso, vê as suas vidas cada vez mais ameaçadas.

O filme é longo, aliás, bastante longo (150 minutos). É preciso uma certa disposição para se ver do início ao fim, pois o ritmo é lento. Contudo a história é bastante boa, com reviravoltas e cenas muito fortes.

Não é surpreendente nas revelações, pois quem for perspicaz adivinha com relativa facilidade o desfecho da fita, mas mesmo que não surpreenda, agrada, pois tudo foi muito bem estruturado e desenvolvido.

Os actores estão bastante bem. Destaco Noomi Rapace que nos dá uma personagem extremamente interessante. O seu olhar decidido e frio e as suas acções revelam não só alguém com quem não devemos brincar, mas também alguém que tem imensos demónios interiores e necessidade de se sentir segura e os afastar.

Män som hatar kvinnor é mais uma prova que o cinema europeu tem muita qualidade. E é pena filmes como este sofrerem constantemente de remakes americanos e serem conhecidos assim. Este não é excepção e já foi confirmado que David Fincher irá realizar o remake. Não surpreende ver que Fincher aceitou realizar, pois esta fita é do mesmo género de Zodiac e Se7en.

Sei que o filme foi adaptado de um romance e que na totalidade são 3 livros á volta destas personagens. Também sei que a sequela não obteve tão boa reacção como este.

Enfim, como não vi, não posso especular. O que sei é que gostei bastante deste e só posso recomendar a sua visualização.

imdb trailer

8/10

editado em 15/02/12 (alterações no layout, correcção de erros e alteração na imagem. Adicionado link para o trailer e imdb.)

12 thoughts on “Män Som Hatar Kvinnor (2009)

  1. Muito interessante a tua review. Nunca me deu para escrever umas linhas sobre esse filme mas digo que este filme é mesmo muito bom (9/10) e tem uma cadência que difere mesmo da produção americana.
    Eu sou dos que achava que havia chances de Fincher fazer melhor que o realizador sueco. Contudo depois de vista a versão americana não fiquei muito surpreendido com o resultado, que é apenas um filme bom (7/10). Há na versão americana muitas nuances diferentes que até acabam por nem funcionarem tanto a favor do filme como aconteceram no original sueco.
    As Lizbeth Salander, são diferentes sendo a do filme de Fincher, a Rooney Mara, mais menininha e dá uma dimensão de vitimizada (como se pertencesse ao “sistema”) ao passo que a sueca Noomi Rapace é mais mulher, decidida (revoltada contra o “sistema”) mas com um turbilhão de sentimentos que lhe tingem a alma. É a versão da Noomi Rapace que me faz acreditar na Salander.
    Já agora as duas partes seguintes da trilogia sueca são mais pobres. Vai ser nesses dois tomos da trilogia (americana) que Fincher vai poder brilhar…

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    1. Eu, de certa forma, percebi o interesse do Fincher em realizar o remake, mas não gostei muito que tenha aceite. Este filme é muito bom e não precisava de ser adaptado.

      Quanto ás sequelas, não as vi, mas acredito que Fincher possa fazer melhor. Pelo menos pelo que li sobre elas.

      E sem ver o remake, já vi que não irei gostar muito da Lizbeth do Fincher pela tua
      descrição. 🙂

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      1. Mesmo assim é um filme que merece ser visto, Ricardo. Acho que vale a pena ver para se perceber como os americanos funcionam para a sua industria e como a pensam.
        Como disse é um bom filme (7/10 – Bom) e desta vez com um nível diferente de estilo. E depois no do Fincher há outras decisões narrativas (as tais nuances) que modificam um pouco o feeling de déjà vu deste remake americano, mesmo assim um filme desnecessário e com um feeling de aventura bondiana quando o sueco é constantemente um misterioso filme.

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  2. Ricardo
    Meus parabens, um post realmente digno, eu ja tenho um apreco pelo cinema escandinavo, um destes que foi colonia da suecia, cinema finlandes, assisti dois filmes, e estou com outro para assistir, tenho um noruegues tbm, mas nao tive tempo, ja os finlandeses, eu indico, um drama, a la Woody Allen, o filme chamado Musta Jaa, (“Black Ice”, Gelo Negro), gostei, o outro e uma comedia, nao me vem o nome a cabeca, mas se quiser depois lhe indico, hehe

    Parabens pelo otimo post.

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  3. Os três livros são excelentes!!!
    Agora vou assistir aos 3 filmes na sequencia. A julgar pelos trailers, devem ser excelentes também… E no fim do ano me render à versão com o 007 no lugar do Blomkvist.
    Abraços e fica a recomendação da leitura. MUITO BOA!!!

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  4. Este filme é mesmo muito bom, enquadra-se no género de Zodiac e Se7en mas como vem de um país nórdico vai “merecer” um remake americano! Mas o thriller envolvente na fita é muito bom e quero ver o seguimento embora, como tu, tenha ouvido dizer que não é tão bom…

    Abraço
    Cinema as my World

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