Metropolis (1927)

Eis a visão de Fritz Lang do futuro. Eis uma visão com 83 anos espantosamente realista e espantosamente fascinante. Eis pois, um filme visualmente muito á frente do seu tempo.

Metropolis, a cidade futurista, está dividida em 2 facções: debaixo da terra vivem os operários, cuja vida é miserável, apenas dedicada ao trabalho e á manutenção das máquinas, cujo funcionamento “dá vida”  á cidade. Na superfície vive a classe dos ricos. Pessoas que levam uma vida cheia de prazeres e sem dificuldades.

As duas facções vivem separadas, mas para Maria, uma rapariga da classe dos operários, é necessário um mediador.

Ela acredita que entre a cabeça e as mãos, terá que existir um coração. Então vai pregando a sua filosofia e angariando cada vez mais fiéis. Um dia Freder, filho do cérebro por detrás de Metropolis, apaixona-se por Maria e partilha da mesma filosofia. Paz entre as classes e menos divergências sociais.

Mas Frederson, a cabeça, descobre as suas intenções e decide lançar a confusão no seio dos trabalhadores (“as mãos”) e fazer com Maria cai em descrédito. Para isso pede a um cientista maluco e maligno que acabou de inventar um robô sofisticado, que dê a essa máquina, as feições e o aspecto humano de Maria.

Fritz Lang presenteia o espectador com 2 horas de cinema fantástico. A recriação da cidade é óptima e apesar de parecer datada hoje em dia, permanece toda uma intenção de mostrar na tela um futuro para além da imaginação. Alguns momentos são marcantes e deveras impressionantes.

O momento da explosão na casa das máquinas é nada menos que incrível.

Da dança mecanizada dos operários a trabalharem até á sequência da explosão com os corpos a serem atirados no ar, e a posterior alucinação de Freder, Lang mostra porque razão Metropolis é considerado um dos melhores clássicos de sempre.

Mas não é a única cena, pois o momento de transformação do robô em Maria é outro. Ainda hoje, com toda a tecnologia que o cinema tem a disposição, essa sequência, impressiona.

As actuações, e como é apanágio de filmes mudos, são pautadas por um exagero teatral característico.

Contudo, não posso deixar de assinalar a interpretação de Brigitte Helm (Maria). As duas personalidades que personifica são dotadas de grande realismo. Então a Maria diabólica é genial. As poses, os trejeitos, aquele olhar maligno. Enfim, certamente merecedora de todos os louvores e mais alguns.

Depois temos todo um cuidado com os cenários. Temos uma realização inspiradora que nos dá frames de uma beleza, a preto e branco é certo, rara.

Metropolis foi uma produção ousada no seu tempo, aliás uma enorme produção. Pelos standards de hoje ainda o é, pois teve 2 anos de produção e mais de 36 000 figurantes!

Um filme que pede um remake á altura, isto é, com elevado rigor e cuidado.

Segundo a Wikipédia, é uma das maiores amostras do expressionismo alemão e a obra-prima de Fritz Lang.

Para mim, revelou-se como um filme fora da sua época. Um projecto magnânimo que culminou em algo de grandioso. Deixou marcas no género e inspirou muito do que se fez depois.

Recomendado!

Realização: Fritz Lang/1927

De Positivo: A realização. Os efeitos especiais. Cenas monumentais e a interpretação de Brigitte Helm.

De Negativo: Algumas partes incrivelmente datadas hoje em dia. Um ou outro exagero nas actuações.

9/10

Autor: Ricardo JM Vieira

Tenho a mania das artes e acho que o sentido de humor é das melhores coisas inventadas pela humanidade. Eu, pelo menos, gostava de ter.

7 thoughts on “Metropolis (1927)”

  1. Metropolis sempre será a marca inexorável da ficção científica futurística no cinema contemporâneo.
    Assim como foi O Gabinete do Dr. Caligari com seu expressionismo alemão para o cinema de terror, e Nosferatu de Murnau, para o clã dos vampiros “de verdade” que já não existem mais nas telonas.
    Filmes assim, nunca mias serão produzidos com a mesmo impacto e profundidade.

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    1. Espero por um crítica tua no cineroad, Roberto. É sempre óptimo poder ler as opiniões de outros colegas da blogosfera acerca de um filme que já vi.

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