Memento (2000)

10/10

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Memento é um filme que, para quem procurar relaxar e ver algo leve, está fora de questão. É preciso muita atenção, muito exercício mental para absorver tudo que de bom nos oferece. Mas fiquem a saber que é um dos melhores thrillers dos últimos anos.

Por mais que tentasse explicar em palavras a verdadeira identidade da obra, acho que nunca conseguiria. Concluo dizendo que é extremamente original, inovador e que trata a audiência com uma inteligência que sempre merece, mas que por vezes é subestimada.

As actuações são boas com óbvio destaque para Guy Pearce (lembram-se dele em LA Confidential?), Carrie-Anne Moss (The Matrix) e Joe Pantoliano (numa carreira enorme vou referir o The Matrix também), o principal trio do filme.

A edição está fenomenal, tudo corre de maneira fluída e ao fim de pouco tempo, já estamos habituados a esta forma tão pouco habitual de ver um filme.

A única coisa que não sobressai é a banda sonora. Cumpre o papel, mas não possui nenhuma melodia capaz de ficar na memória. Os diálogos estão muito bons, roçando o fabuloso em algumas partes.

Christopher Nolan tem uma carreira muito boa. Tenho-me deliciado com todos os seus filmes e, até agora, nenhum me desiludiu. Este memento, que decidi rever hoje, continua a estar entre os favoritos.

Vamos então ao filme!

A narrativa deste memento, é contada e filmada de uma maneira absolutamente original e inovadora. Temos dois sentidos convergentes. Um contado a cores, que é o principal, e que segue em pequeno blocos de 5 minutos de trás para a frente. O outro, contado a preto e branco, que segue de forma linear, isto é, começa num determinado ponto no passado e continua para a frente.

No final os dois sentidos encontram-se e chegamos ao fim. Simplificando isto, começamos a ver o filme no fim. E este vai andando para trás até ao início. E só quando chegar ao início é que vamos perceber a equação toda.

É preciso um exercício mental forte para acompanhar a película, pois por vezes não sabemos o que esperar das situações.

Por exemplo, Lenny está a falar com alguém, mas esse alguém é amigo ou inimigo? Nem ele nem nós sabemos. E só iremos descobrir quando o filme andar para trás nas memórias. É maravilhosa esta abordagem. De certa maneira vemos o filme como Lenny encara as situações.

O que somos nós sem a nossa memória? não somos nós a nossa memória? o que é o mundo para nós, senão o nosso próprio e totalmente subjectivo conjunto de memórias?

Será que tal como o Lenny também nós readaptamos/reinterpretamos as nossas memórias em função das nossas necessidades??

Aclamado pela crítica nacional e internacional como um dos melhores filmes do ano de 2001, Memento surpreendeu tudo e todos pelo seu argumento brilhante e original.

Realizado por Christopher Nolan (O Cavaleiro das Trevas, O Terceiro Passo), o filme leva-nos a reconstruir o vertiginoso quebra cabeças de Leonard Shelby na sua incessante busca pela verdade.

Leonard tem como único objectivo apanhar e punir o homem que violou e matou a sua mulher, mas está limitado por uma estranha incapacidade de formar memórias recentes devido ao violento ataque que sofreu naquele momento.

Alguém que tenha conhecido, ou qualquer coisa que tenha feito depois, simplesmente desaparece da sua memória. Mas a isso não o impede de continuar, utilizando o seu próprio corpo como um bloco de notas onde várias tatuagens o ajudam a relembrar as várias peças do puzzle que vai reconstruindo.

Quem são os seus amigos? Quem são os seus inimigos? Qual é a verdade?

10 thoughts on “Memento (2000)

  1. É um filme fantástico!!!
    Já vi por duas vezes, penso eu… e quero rever novamente, desta feita, em Full HD… sim, porque agora estou numa de rever filmes que já vi em Full HD.

    É muitíssimo bom! Foi dos primeiros que vi com este tipo de montagem: passado, presente, sempre misturados ao longo do filme. Fiquei fascinado com esta forma de contar uma história quando vi 21 Gramas.

    😀

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  2. Este é daqueles filmes que só pelo seu argumento já merecia 10. De facto, atribuo mesmo essa nota, mas não só pelo argumento. As interpretações são de luxo, sobretudo de Pearce (que quanto a mim é muito versátil) e Pantoliano. Depois há uma montagem genial e uma realização extraordinária. Para um filme “perfeito”, a nota máxima.

    PS: Guy Pearce ainda consegue ser melhor em LA Confidential, que por sinal, é um dos melhores filmes do género, senão o melhor.

    Abraço

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