
Um adolescente normal certo dia pergunta a si próprio: “Como é que ninguém ainda tentou ser super-herói?”. Rapidamente, esse adolescente, chega á conclusão que dói muito tentar ser super-herói. Contudo, e após levar uma tareia a tentar proteger um cidadão da opressão de uns vagabundos, o Kick-Ass ganha uma popularidade abismal, e outros heróis surgem.
Tecnicamente competente e eficaz, kick-Ass opta pela via de ser “cool” a toda a força, em detrimento de qualquer moral, por mais pequenina que seja. Tenho lido muito á cerca deste filme, e questiono-me como é possível tanta gente ter gostado do filme e achar toda uma violência gratuita efectuada por crianças de 11 anos normal!?
Chamem-me conservador, mas estou com Roger Ebert quando diz: “Deverei ter sentimentos, ou fingir ser fixe? Parecerei perdidamente obtuso, se achar o filme moralmente repreensível e se parecerei não ter percebido o seu objectivo?”
Para além de toda a violência, admira-me a falta de sentimentos daquelas crianças. A mãe do actor principal morre e não se passa nada. Aliás, querem fazer daquela morte um momento cool e humorístico, como quando alguém adormece por estar de ressaca… Se calhar até é esse o objectivo do filme, mas, e isto é pessoal, achei tudo um bocado doentio.
A hit-girl é uma verdadeira máquina assassina e não esboça nenhum sentimento enquanto corta pernas, esfaqueia troncos, alveja cabeças, etc; já para não falar na sua resistência super-humana, pois na última batalha consegue escapar a golpes quase sem nenhum arranhão…
É um filme um bocado perturbador, com uma ironia e um humor negro deveras exagerado. Vive á custa apenas e só de violência (verbal e física), o que não é necessariamente mau. Agora quando essa violência é praticada por crianças…
Quem souber conviver bem com isto, não perde nada em ver o filme, que, e nem tudo é mau, na componente técnica consegue ser bastante bom, com a sua realização frenética e actual e a sua banda sonora refrescante.
5/10